quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Aprendendo

Escrevi este cordel em 2005 quando comecei a frequentar a casa do Edi Monteiro, no Pau Ferro, Jacarepaguá, Rio de Janeiro- RJ, e ele começou a me dar as dicas para conviver com "cariocas" .Não os verdadeiros Cariocas, pois estes realmente sabem viver e deixam os outros viver. Ele é uma singela e sincera homenagem a um verdadeiro Carioca do qual e me considero "amigo para o que der e vier".

APRENDENDO
(A Edir Monteiro)

1
"Chapéu de otário é marreta"
Diz o dito popular
Eu pensei que era esperto
Mas veja como é que é
Percebi a duras penas
Ligando minha "antena"
Que "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
2
Vim do Nordeste pro Rio
Acompanhando família
Para mudar minha vida
Um recomeço qualquer
Mas só estou levando pau
'Stou mole feito mingau
Pois"enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
3
Quando peço informação
Me dão endereço errado
Ando noutra direção
Fico que nem "Mané"
Se pergunto viram o rosto
Só me encho de desgosto
Mas "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
4
Me mandam comprar sapato
Em mercado de verdura
Me chamam de velho burro
E quase que "perco o pé"
Não respeitam minha idade
E vejo a grande verdade:
Pois "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
5
Muitos se fazem de amigos
Só pra levar na anarquia
Velho não tem serventia
Sou tratado qual ralé
Se reclamo me ameaçam
Humilham e me embaraçam
Mas "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
6
Me sinto todo perdido
Sendo desconsiderado
Fico pra frente e pra trás
No vai e vem da maré
Acho tudo esquisito
E só vivo muito aflito
Mas "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
7
Tenho pressa em voltar
Aqui não é meu lugar
E se aos céus for servido
Não levo mais pontapé
Sei que estou pagando sina
Mas sei que a dor ensina
Que "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
8
Quando cheguei peguei Dengue
A polícia bota medo
Bandido é quem dá emprego
Não arrumo nem mulher
No "Movimento de Amor"
Encontrei muita vaidade
Mas "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
9
Espero dias melhores
Mas eles pra mim não vêm
Aqui só vale quem tem
Um Santo de Candomblé
Quem paga a Edir ou Soares
Pra diminuir pesares
Pois "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
10
Só que o cavalo sou eu
Vivendo ao emboléu
Padeço qual Prometeu
Sem saber como é que é
Mas agradeço ao Edi
Monteiro, pelo começo
Pois "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
12
Estes versos escrevi
Estando novo no Rio
Aceitando o desafio
Para ver como é que é
No conceito dos daqui
Sei que logo vou crescer
Pois "enquanto houver cavalo
São Jorge não anda a pé"
13
Reconheço minhas falhas
Hoje , aqui e agora
O lugar é pra "esperto"
Mas velho é desprezado
Morre logo de desgosto
Aprendendo uma verdade:
Nordestino é pra Nordeste
Onde ele é bem tratado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário