quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Gemedeira

Justificativa gemida
I
"Eu vou contar a história
(que pode ser verdadeira)
de um menino enjeitado
que lutou a vida inteira
para ser um agregado
mas sempre foi rejeitado.
ai,ai
só em sétima gemedeira."

Começava assim uma história que há muito tempo ouvi de um velho cantador/contador, que andava de cidade em cidade cantando/contando suas histórias, e elas eram tão bonitas que quem as ouvia sempre dava para ele como pagamento, o que ele precisava para viver.
Vestimenta, comida, calçado tudo lhe era dado. Somente não aceitava dinheiro em espécie, pois dizia que depois de terem inventado o dinheiro os homens começaram a se odiar.
Vou tentar cantar/recontar o que o velho cantava/contava, pois para muitos que a ouviam era verdadeira e que o velho era uma alma penada condenada até os fins dos tempos a andar vagando pelo mundo cantando/contando sua vida; outros diziam que era pura invenção e que o velho cantava/contava para mostrar como sofre uma pessoa que foi enjeitada quando criança.Eis aí a seqüência da história contada pelo rejeitado/agregado ao velho cantador/contador.
Quando o velho cantador/contador de historias recitava aquela primeira estrofe, ficava com os olhos marejando e parecia estar sentindo uma grande saudade.
Uns diziam que o velho era um excelente ator e que realmente conhecera o rejeitado/agregado, outros diziam que ele estava relembrando sua infância.

II
"Tinha feito quatro anos
quando o seu pai morreu
o que guarda na lembrança
é um beijo que recebeu
e isso ficou marcado
no rejeitado agregado
ai,ai
e nunca mais esqueceu!"

Nestes versos ele explicava que o agregado lhe disse que seu pai era um homem bonito, alto, atlético e que esta imagem ele guardava pois foi no dia que seu pai se encantou no mar, e o velho dizia que uns diziam que seu pai havia feito aquilo por vontade própria e por desgosto, pois descobrira um terrível segredo; já outros diziam que foi apenas uma fatalidade, entretanto os ouvintes mais observadores percebiam que somente o velho sabia da verdade verdadeira que o agregado sabia, porque ele explicava que aquele beijo havia sido realmente especial e que havia sido de despedida.
III
"Da sua terra natal
só guarda pouca lembrança
ficou tudo anuviado
pois era muito criança
mas ainda tem a vontade
de rever sua cidade
ai,ai
não perde a esperança."

O agregado falava de três imensas toras de madeira transportadas por uma imensa carreta, e falava também de uma fachada de uma casa branca, no sopé de uma colina, de uma escada sinuosa, um Flamboiã com flores vermelhas e o resto era tudo brumas.

IIII
"Ficou sua mãe viúva
com seis filho pra criar
mas o que o seu pai deixou
dava e ainda ia sobrar
mas a mãe se aperriou
um namorado arrumou
ai,ai
e resolveu se casar."

O agregado achava que sua mãe por ser ainda muito moça deveria se casar, entretanto não do jeito que foi descobrindo no decorrer de sua vida, pois da verdade verdadeira realmente nunca foi informado por ninguém.

V
"Só que esse novo marido
era um homem diferente
não gostava de criança,
bebia muita aguardente,
mas sua mãe aceitou
só com dois filhos ficou
ai,ai
os quatro deu de "presente"."

Nessa parte da história o velho cantador/contador de história explicava que o agregado depois de já homem feito achava que, fosse qual fosse o motivo, sua mãe nunca deveria ter feito aquilo, pois separou os irmãos e isso não é coisa para mãe nenhuma fazer.
– Mãe que é mãe morre na tuia, mas não abandona os seus filhos", dizia.
Mas ele viria saber da verdade muito mais tarde

VI
"Como agregado ficou
com um tio separado
que o tomou como filho
pra não ser um rejeitado
e a partir dessa data
perdendo a mãe, coitada
ai,ai
sofreu muito o coitado!"

Nesta parte da história todo mundo notava que ele sentia muita pena do agregado, pois o agregado sempre dizia que havia ficado com uns boizinhos de barro que seu tio havia comprado para o seu irmão mais velho e mais tarde ele soube que quem ia ficar com o seu tio era o outro mais velho,
mas como ele não quis ficar... ficou o rejeitado.
O velho ficava com pena do agregado, pois sempre lembrava da história que seu avô contava de quando foi separado de seus irmão por ter sido vendido a um outro senhor de escravos.
O velho cantador/contador de história dizia sempre:
– Separaram os irmãos como se fossem bichos e não gente, credo!

VII
"Separado dos irmãos
pela mãe "abandonado"
o tio cuidava dele
era sempre bem tratado
até nove anos de idade
viveu em felicidade
ai,ai
mesmo sendo um rejeitado."

Dizia o velho que por um tempo o agregado se esqueceu que havia sido rejeitado por sua mãe e até foi se acostumando, e já pensava que o tio era o seu pai de verdade.

VIII
"Seu tio era muito bom
(era um pai verdadeiro)
era um homem sem vícios
trabalhador e ordeiro
tudo ao agregado dava
nada pra ele faltava
ai,ai
era amigo e companheiro.

VIIII
Tudo era felicidade
logo o agregado esqueceu
que havia sido rejeitado
logo que seu pai morreu.
A vida seguia em frente
vivia muito contente
ai,ai
tendo um lar que era só seu."

O velho cantador/contador de histórias explicava que o agregado mesmo sendo muito novo, ainda se lembrava de muita coisa daquele tempo feliz, pois o marcaram para sempre.

X
"Com o seu tio habitava
uma boa prima solteira
cuidando de sua casa
recatada e ordeira
tudo ali era alegria
e logo pra ele seria
ai,ai
a sua mãe verdadeira.

XI
Pois os dois cuidavam dele
como um filho adotivo
e o menino que era bom
vivia agradecido
saiam pra passear
para nadar e pescar
ai,ai
se sentindo bem querido."

Nessa parte o agregado explicava que aquele havia sido o tempo mais feliz de toda a sua vida.
Moravam em um segundo andar de um velho sobrado
e que seu tio saía para passear com ele todos os Domingos.
Muitas vezes iam até o porto da cidade, tomavam um barquinho,
atravessavam o rio e iam pescar e nadar. Tudo era realmente felicidade.
XII
"Quando chegou a idade
na escola ele entrou
pois foi alfabetizado
na casa do seu avô
(passou um tempo por lá)
antes do tio o aceitar
ai,ai
e arrumasse um novo lar."

O agregado estudava perto de sua casa, que ele ia para lá a pé, que sua primeira professora era muito afamada e muito meiga e, que a primeira namoradinha dele era descendente de árabe.
XIII
"Como o seu berço foi bom
teve boa instrução
pois sua infância havia
lhe dado um bom coração
que batia em seu peito
pois escola não dá jeito
ai,ai:
Quem é bom já nasce feito!"

Até ai, explicava o velho cantador/contador de histórias, tudo parecia ser para sempre. O agregado já estava realmente achando que aquele lar era realmente dele e que sempre seria feliz com seu tio e com a prima/mãe.
XIIII
"Mas o que é bom dura pouco
seu tio se converteu
para os "santos evangelhos"
e aquele bom pai morreu
pois descobriu com o pastor
que era um "pecador"
ai,ai
a porca o rabo torceu!"

Muito dos ouvintes ficavam com raiva porque também eram convertidos aos santos evangelhos e também se achavam pecadores e pediam para que o velho cantador/contador pulasse essa parte, mas o velho cantador/contador de historias explicava que não podia pular essa parte, pois era muito importante para a historia do agregado. O agregado contou para o velho que em nome de Jesus, quando ele era menino, sofreu mais tortura do que o próprio Jesus, mas que Jesus havia vindo para sofre por que assim o quis, entretanto... ele não.
XV
"Acabaram-se os passeios
e com eles as pescarias
seu tio ficou tristonho
acabou-se a alegria
no lar entrou a tristeza
o pecado e a malvadeza
ai,ai
e o sofrer fez moradia."

XVI
Por qualquer coisa apanhava
o lar virou uma rinha
(quase morreu no cacete
por causa de uma colherinha
que o tio o café mexia)
era cacete a granel
ai,ai
sempre à hora da tardinha.

Os passeios de final de semana se transformaram em idas para a igreja, orações, penitências, retiros e coisas para ele, muito novo, muito desagradável, entretanto com o passar dos tempos por não ter opção, ele foi se conformando e se acostumando.

XVII
Falou, o pastor, pra seu tio
que ele estava em pecado
longe da esposa e do filho
e estava condenado
tinha de pra eles voltar
e todos junto morar
ai,ai
para então ser perdoado.

O velho explicava que o agregado nunca entendeu que diabo de pecado era aquele que seu tio achava que praticava, ou que havia praticado, e que somente podia ser perdoado de voltasse para sua mulher e seu filho.
Toda vez que procurava entender sempre encontrava o tal segredo de família, até que um dia, já adulto é que um outro tio seu (o caçula) lhe contou toda a verdade. Somente aí e que o agregado entendeu o porquê do seu tio sofrer tanto e vingar-se nele, mas... já era muito tarde... muito tarde mesmo.

XVIII
Começaram as visitas
pra reatar a união
viagens e mais viagens
nova apresentação
e o rejeitado sobrando
ia se desagregando
ai,ai
começou a danação.

A mulher do seu tio morava no interior, juntamente com seu filho que por sinal era mais novo que ele um ano, e a amizade do rejeitado para com seu primo foi quase que instantânea, entretanto mais tarde, bem mais tarde, ele percebeu que a recíproca não era verdadeira, pois sempre foi encarado como usurpador, tanto pela mãe como pelo filho.
XVIIII
Finalmente o seu tio
sua família juntou
pra não ficar em pecado
(isso o pastor falou)
e o menino agregado
todo dia judiado
ai,ai
o seu coração trancou.

Pouco tempo namoro e todos estavam morando juntos: O tio, a tia, o primo e o agregado, entretanto muita coisa mudou para o agregado, pois começou a ser rejeitado pela tia. Mais tarde, bem mais tarde, ele veio a entender o porquê daquela insegurança e até foi considerado por ela (em seu leito de morte) como o seu quarto filho, mas... já era tarde... muito tarde.
XX
A mudança foi severa
violenta e radical
ao invés de ter cuidado
o carinho era pau
o tio que dava amor
virou um torturador
ai,ai
parecia um animal.


XXI
O agregado não entendia
aquela brusca mudança
do amor virar em ódio
pois guardava na lembrança
que os momentos felizes
tinham criado raízes
ai,ai
mas foi perdendo a esperança.

Quando chegava nessa parte da história o velho explicava que o agregado ficava relembrando os tempos felizes até aquele momento em companhia de seu tio, mas que não era uma coisa seqüenciada não.
Lembrava de uma coisa, outra, depois voltava no tempo e lembrava outra, e assim por diante.
Mesmo envolvidos pelas brumas do tempo, somente lembrava dos momentos felizes, pois as mágoas e recordações tristes ele as esquecera trancadas a sete chaves, lá no mais fundo de seu coração, e quando uma queria sair ele a empurrava de volta com dezenas de momentos prazerosos.
Relembrava das corridas a cavalo da planta de capim até a casa da cachaça, que fazia com seu primo no engenho do avô materno dele.
Relembrava da sua Aratanha, um caminhão de empurrar, feio e desengonçado,
(mas querido como o diabo) com direção e tudo.
Relembrava das decidas de ladeira (como carona) no carro de descer ladeira de seu primo, que somente parava quando batiam no monte de cachaça (bagaço de cana-de-açúcar com mel de furo) para o gado.
Relembrava dos banhos de rio e de açudes.
Relembrava de quando a Usina colocava vinhoto dentro do rio e o avô materno do seu primo,
abatia a tiro as Traíras embebedadas.
Relembrava de quando sem querer, matou uma Lavadeira, (se remorso matasse...), que estava pousada no mais alto galho de uma Cajazeira, com uma pedrada de estilingue, debalde esforços para ressuscitá-la com medo dos castigos de Deus.
Relembrava das caçadas de Lagartixa. (elas viravam Calango e não morriam,
pensavam os caçadores de pontaria infalível)
Relembrava das idas e vindas a engenhos vizinhos empurrando carros de descer ladeira. (viagens de sonhos que duravam tardes inteiras)
Relembrava de uma carreira que deu ladeira a baixo, tirando o macacão e as botas (sem pelo menos tombar, quanto mais cair), por pensar que um pedaço de cana-de-açúcar que lhe entrara roupa adentro, era uma cobrinha que tentara matar.
O que causava espanto a todos que ouviam o velho cantador/contador de história é que ele transmitia tanta emoção com sua narrativa, que muitos pensavam ser realmente a verdade e que o agregado fora ele.
Relembrava das caçadas nas matas do engenho do seu avô paterno acompanhado de seu primo.
Relembrava das pescarias, dos passeios de jangada, e tantos outros momentos de pura felicidade.
Relembrava com muito carinho do nascimento do outro primo
e depois de sua prima e os amava como a dois irmãos.
Relembrava que o priminho somente comia quando ele brincava de aviãozinho. (não comia com mais ninguém).

XXII
O agregado foi mudando
começou a sua cruz
com seu tio aprendeu
cedo a odiar Jesus
pois em nome desse deus
muita tortura sofreu
ai,ai
parecia um Prometeu.
XXIII
Mas como na sua infância
só havia felicidade
com seu coração de ouro
perdoava a maldade
e o rancor do seu tio
(que agora dava com fio)
ai,ai
fio de eletricidade!!

Estas estrofe despertavam muito a curiosidade dos ouvintes e o velho cantador/contador de histórias explicava que o agregado contava que este tipo de tortura era sempre acompanhada de uma justificativa bíblica e entre elas uma que ficou marcada em sua memória: "Não tirai a vara do lombo da criança", e serviu para que mais tarde ele nunca tocasse nem em um fio de cabelo das suas duas filhas.
Segundo o cantador/contador de histórias as lembranças deixavam o agregado meditativo, pois como ele afirmava, havia sido um tempo de provação, mas que serviu para reforçar o seu caráter.

XXIIII
Tudo o rejeitado agregado
fazia para agradar
procurava ser bonzinho
para evitar apanhar
pois se lembrava do fio
e do braço do seu tio
ai,ai
era um sofrer de amargar!
XXV
Tudo na vida fazia
para evitar o fio
até que ouvia a frase:
“Eu vou dizer pro seu tio”
e aí não tendo mais jeito
só fazia o que é mal feito
ai,ai:
De noite tome pavio.


XXVI
Seu tio tinha três filhos:
Dois meninos e uma menina
e mais uma empregada
que cuidava da faxina
o agregado os agradava
e até se humilhava
ai,ai
essa era sua sina!

Explicava o cantador/contador de histórias que o agregado contava que vivia pisando em ovos para não desagradar quem quer que fosse com medo de que fosse pronunciada a terrível frase: "Eu vou dizer pro seu tio", entretanto depois que ele a ouvia (sabendo que a surra era inevitável e inexorável) fazia tudo por onde merecê-la: não estudava, ia pra rua maloqueirar, brigava com o primo,
arengava com a empregada... e cositas más.
XXVII
Sua pele esticou
(pois por todos apanhava)
e se qualquer um errasse
seu couro é que agüentava
aquela trança de fio
e o carinho do seu tio
ai,ai
quando à noite chegava.

Explicava o velho que o agregado contava que era um sofrimento ter de pagar pelos erros dos outros (e ser por isso chantageado até pela empregada adolescente que também entrava no clima).
XXVIII
Para quem nunca sofreu
na vida uma tortura
se quiser desejar mal
para qualquer criatura
faça logo ele provar
(vinte coçadas levar)
ai,ai
e sinta a gostosura!
XXVIIII
Diz a ciência moderna
que entre o torturador
e a vítima torturada
há relação de amor
e que ela está fixada
entre o ódio e a dor
ai,ai
pois ambos são perdedores.

O cantador/contador após recitar estas estrofes punha-se a filosofar sobre o sofrimento humano
e o que ele pode fazer às pessoas.
Os pobres de espírito lastimam-se, e recorrem a terceiros que os livre daquele sofrimento,
ou pelos menos o amenize.
Os ricos de espírito buscam no fundo do seu coração forças que o fazem tirar de letra aquele momento de dor, e até anseiam por sua chegada (catarse?) para poderem testar sua tolerância.
Narra ainda, o velho cantador/contador de histórias que o agregado viveu em companhia do seu tio até os dezesseis anos, pois ele o agregado, estava no seu íntimo se rebelando e como já era quase homem feito...
XXX
“O menino é pai do homem”
disse o escritor Assis
e ele nunca se esqueceu
do tempo em que foi feliz
e o mal pelo bem trocou
sempre humilde suportou
ai,ai
pois tinha boa raiz.
XXXI
Era uma raiz profunda
bem plantada em muito amor
cultivada e bem cuidada
pela avó e pelo avô
que no céu estão morando
e pra ele estão olhando
ai,ai
lá de junto do Senhor!

Explicava o velho cantador/contador que o agregado dizia que a função dos avós e exatamente esta: Dar amor. Dar amor através do exemplo, pois a responsabilidade de criar e educar eles já tiveram quando eram pais. Avós é... deleite, é... curtição.
Avós que tem a responsabilidade de criar e educar netos os estraga para o resto da vida, pois até os sete anos os filhos devem ser criados pelos pais sem a interferência de mais ninguém, e principalmente se estes ninguens forem... avós.
XXXII
“Todo mal traz sempre o bem”
ele ouvia do avô
depois que ele se fez homem
e uma família formou
nunca soube judiar
pois só tem amor pra dar
ai,ai
nunca um seu filho apanhou.

Em suas abstrações filosóficas, o velho cantador/contador parece que também havia aprendido com o agregado que há um tempo para tudo.
Quanto mais ouvia a história que o agregado lhe contava, mais ele ia percebendo que tudo por que o agregado passara até os dezesseis anos, somente fizera com que ele pudesse estar mais preparado para enfrentar uma vida que seria pontilhada por insucessos financeiros, os quais o manteria sempre (com poucos períodos de fartura) usando racionalmente seus recursos e parecendo aos olhos dos outros que sempre viveu... folgado.
XXXIII
Essa é história do menino
que lutou feito um danado
querendo de todo jeito
ser de uma família agregado
mas por causa de ciúmes
sofrimentos e queixumes
ai,ai
sempre foi um rejeitado.
XXXIIII
Mas hoje em dia ele sabe
que a causa do seu sofrer
era porque entre eles
não havia bem querer
havia muita amargura
entre aquelas criaturas
ai,ai
que ainda vivem em sofrer!

O velho cantador/contador termina sua história mostrando que realmente quem é bom ou mau, já nasce feito.
Transcendendo, o velho cantador/contador, filosofa dizendo que há haver algo que recebemos de nossos ancestrais e algo que deveremos transmitir aos nossos descendentes, diferente dos caracteres físicos e, é aí que consiste a estada em cada um dos cinco reinos e a evolução do reino animal para o reino hominal.
O velho cantador/contador terminava sua narrativa dizendo que o agregado sempre alegava que um ato bondoso resgata milhares de atos maldosos, mas que ambos são necessários.
Ainda advertia que nunca deveremos ser o que pratica os atos maldosos para que mais tarde, como Judas, se arrependa amargamente, encontrando alívio somente na morte, fazendo com que sua mãe seja a mais infeliz das mulheres.

Deixava também, o velho cantador/contador de histórias o seguinte axioma: Todo homem é animal, mas nem todo homem é hominal.

XXXV
Hoje o menino é feliz
com nove entes queridos
um vivendo para o outro
no amor comprometidos
o ruim ele esqueceu
pois o que era bom venceu
ai,ai
todos os nove muito unidos!
XXXVI
De ninguém sendo juiz
hoje o menino venceu
procurando dar a todos
o que a vida não lhe deu.
Esta história é a verdade
digo sem uma maldade
ai,ai
Esse menino ...
XXXVII
Realmente esta história
horrível aconteceu
ouvi do próprio agregado
meu pesar apareceu
a vida é mesmo assim:
nunca um tratar ruim
ai,ai
o bom tratar escondeu!!

Finalizava o cantador/contador dando a impressão para uns, que ele seria o agregado; mas para outros que ele era apenas um cantador/contador.

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