sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Na Rede


1
Amigo, sei que sou único
Durmo tarde e acordo cedo
Pra passar o maior tempo
Fazendo o nada fazer
Mas eu digo pra você
Pois sou um cabra da peste:
Fico só fazendo rima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
2
Sei que sou quase exclusivo
A começar pelo nome
De Géber, você me chame
Porém veja se não erra
Pois o "G" é como em "Guerra"
Bem comum pelo Nordeste
Que o certo não desafina
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
3
De família tem Romano
E tem também Accioly
São nomes que vêm de longe
Da outra banda do mar
Mas uma coisa eu bem sei
Vindo do Norte ou do Leste
Orgulho não me vitima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
4
Já trabalhei feito um burro
Casei e criei família
Passei aperto e venci
Sem a ninguém magoar
Pra nunca me lastimar
Nem servir de cafajeste
Vivo vida bem vivida
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
5
Hoje a preguiça anda solta
Ninguém quer mais trabalhar
O governo dá de um tudo
Pra se vagabundear
Só vale a Bolsa Família
Dando comida e veste
Só se fala em propina
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
6
O casamento acabou
Hoje só querem "ficar"
Trocou-se idade por peso
Menina quer namorar
Pois logo aos trinta quilos
Pouca coisa faz que preste
Mulher, mocinha e menina
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
7
Gosto é de Natureza
Pois nela eu me deleito
Só trago a paz no peito
Pois a mim mesmo agrado
O que faço de bom grado
É viver pelo Nordeste
Todo mundo me estima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
8
Não dispenso uma Caçada
E nem uma Pescaria
Caço e pesco o que está livre
Dentro da Ética e da Lei
Pois uma coisa eu bem sei
Não quero que me moleste
A Lei humana ou divina
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
9
Minha vida é Obra-Prima
Sei fazer o Não - Fazer
Faço e desfaço bem feito
Refaço de outro jeito
Deixando tudo direito
Para que nada mais reste
Sem que nada me reprima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
10
Quando vejo alguém sofrendo
Sei que fez por merecer
E eu digo pra você
Que Deus é justo e perfeito
Pois só castiga o sujeito
Que na maldade investe
Bondade me reanima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Nordeste
11
Se me apresentam um problema
Abacaxi ou pepino
Pego, corto, ajeito, afino
Rebato, coloco um pino
Ligeiro sem mais demora
Desatando o nó que deste
Pois nada me desanima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
12
Para a saúde ser boa
Trato da minha pessoa
Com o que é sadio e bom
Só uso o que me faz bem
Me agrada e me convém
Sem viver fazendo teste
Evito quem se lastima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
13
Quando o idoso se casa
Já pega um "Kit" pronto
A esposa traz na bagagem
Uma família completa
Recomeçam os cuidados
E no futuro investe
Mas a tudo ele sublima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
14
Amigo pra ser do bom
É cordato e verdadeiro
E sabe do mundo inteiro
Mas sem qualquer pretensão
Amigo pra toda hora
Que a bondade ateste
E pela amizade prima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
15
Quando a mulher reclama
Pois nasceu pra reclamar
Deixa o tempo passar
Logo ela cansa e desiste
Vá pra Rede e se aquiete
Pois a paciência o reveste
Quem é bom não desanima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
16
Tem o Céu e tem a Rede
Na Rede fico no Céu
Se no Céu não tiver Rede
Ficarei a ver Tetéu
Deitado aqui numa Rede
Sem ir pra mansão celeste
Sem Rede o Céu não me anima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
17
A Rede é lugar pra tudo
Dá até pra um chamego
(Só não dá pra ser em pé)
Use e abuse da Rede
Aproveite enquanto é tempo
E a idade se manifeste
Chupando laranja ou lima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
18
A Rede é um lugar santo
Pra acabar com cansaço
Na sombra dum Umbuzeiro
No Inverno ou no Verão
Na Rede tudo é possível
Nem tem coisa que eu deteste
Nem que a vida se exima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
19
Quando for pensar em algo
Que lhe cause desconforto
Faça da Rede seu porto
E atraque pra descansar
Se reclamarem não ligue
Não discuta nem conteste
Ou deixe que lhe deprima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
20
Quem cuidou da mocidade
Ficou maduro de tempo
A velhice vira prêmio
Pra viver o bom viver
Transforma-se o dia-a-dia
Numa vitória inconteste
Sem que nada o oprima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
21
Velhice, Rede e Luar
Saúde, Tempo e Dinheiro
Mulher nova e carinhosa
E amigo verdadeiro
Vida boa e liberdade
Sem nada que me encabreste
Pois a vida só me mima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
22
Por Deus tenho a Natureza
Por estandarte o Bem
Para mimar tenho o Amor
Pra toda a vida a Amizade
Para punir tenho o desprezo
Se não quiser não me teste
Do bordão eu vou à prima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
23
Se até vinte não se barba
Se até trinta não se casa
Se aos quarenta não se tem
Melhor é se conformar
E aceitar seu destino
Se for do contra endoidece
Melhor é abrandar a sina
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
24
Não adianta tentar
Mudar qualquer natureza
Pois ninguém muda ninguém
Se nasce bem ou mal feito
Se aceita ou não se aceita
E quem quiser testar que teste
Mas eu fico em surdina
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste
25
Revendo a vida vivida
Honradamente assuntando
Ouvindo a Natureza
Meditando ou descansando
Ante a presença do Eterno
Numa uma paisagem celeste
Onde sempre ajuda o clima
Na Rede, com o pé pra cima
Sob o Luar do Agreste

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