terça-feira, 27 de setembro de 2016

Aberrações

Leio e leio e leio,
Fico cada vez mais perplexo!
Versões, traduções, adaptações,
Sem que haja um só nexo.

Brhama não manda prevaricar
(como suas devotas prevaricam!)
Alá não manda aterrorizar
(como seus crentes aterrorizam!)
Javé não manda perverter
(como seu clero é pervertido!)

Fico perplexo, perplexo, perplexo!
Foram alterados os textos sagrados a bel-prazer
Só foram moldados para satisfação de fiéis.
(fiéis as suas crenças anormais,
E infiéis às celestiais).

Batalhas perdidas
(pobre Krsna, em Karuksetra).
Alianças desrespeitadas
(pobre Moisés, no Sinai).
Leis desobedecidas
(pobre Maomé, em Medina)
Krsna, Moisés, Maomé,
Por sacras palavras falaram,
E por seu deus ensinaram
Caminhos de salvação,
Porém os seus seguidores,
(por puros de coração)
Arvorados de tradutores,
E sendo sacros gestores,
Como da verdade senhores,
Alterando o original,
Fizeram nova versão.

Krsna, Moisés, Maomé,
Teus puros de coração,
Mudaram tuas palavras,
E com suas bocas anunciam,

Somente – aberrações.

A Propósito do Bundismo

            Há modismo (seguir uma tendência predominante em determinada época) que passa, entretanto há aquele que por cair no gosto popular, sofre mutações e perdura.
            Não existia (e nem existe) o termo Bundismo, registrado nos dicionários, mas nos idos de 97 do século passado. eu já o utilizava em meus textos escolares quando lancei:


Doutor, guarde essa tesoura e não corte
essa talentosíssima pessoa,
importa a mim, que a bicharia não roa,
esse monumento depois da Morte.

Abundava por cá uma verdade:
Que “Nada substitui o talento”
modernamente, falo com vaidade,
pois agora existe um novo intento.

O velho lema já foi superado,
por um povãozamente atualizado
e para entender, juro que tento.

No Brasil ratinhável e tializável,
existe um lema muito mais palpável:
Nádegas substitui o talento.

            Na mesma época também lancei o Manifesto do Bundismo (pela Internet enviei para vários programas como “colaborador”, mas caiu em mãos inescrupulosas e “coincidentemente” gerou textos e mais textos).Eis o texto original:

Manifesto do Bundismo

Está lançado o Bundismo.
Nosso lema é: “Nádegas substitui o talento”.
Revisemos a máxima de Juvenal: “Natica sana in corpore sano.”
Revisemos o Léxico: Bunda, se for bom; se for excelente será Bundão e sendo “Intelectual” será eruditamente, Glutóide.
Revisemos os Costumes:
Na C. I. (dos humanos portadores da fenda mediana procriadora verticalizada, é claro!) deverá ter afixado um retrato tamanho 18 x 36, da “preferência nacional”.
Adentro, digo, adendo: O retrato deverá ser tipo Tia. Os do tipo Xu deverão ser obrigatoriamente, dispensados; deixando o lugar em branco.
Deverão ser isentas de todo e qualquer imposto, as portadoras de uma senhora *unda; as de *unda mixu(xa)ruca deverão ter os impostos triplicados.
Parágrafo único: Cada miligrama de silicone usado, aumentará a alíquota em 1% (hum por cento).
As tiazinhadas apresentar-se-ão em público trajando duas peças a saber: Chapéu e Tamanco; as mixu(xa)rucadas, trajar-se-ão a saber: Hábito de Abadessa Carmelita, acrescida de Capa de Chuva e Coturno, obrigatoriamente.
Todos os vocábulos classificatórios profissionais iniciados pela oclusiva bilabial surda serão substituídos pela correspondente sonora, por indicarem seres inconfiáveis.
Adendo: Permanecerá o da profissão mais antiga e sublime: Prostituta.
Revogue-se o Pós-Modernismo Medieval, vigente.”
            Há aproximadamente uma dúzia de verbetes relacionados com bunda e há um regionalismo baiano Bundões com significado pelo menos inusitado (vide P.d B).
            Havia uma marca de cigarros denominada Continental que utilizava timidamente uma metáfora (um bumbum de shortinho) relacionando *unda a preferência nacional, e no programa do Velho Guerreiro a chacrete Rita Cadilak seria a piotária (=quem vai na frente abrindo o caminho para o pioneiro receber as glórias) da Gretchem, da Karlinha (a mais veloz bumbumzeira) e tantas outras que mudaram o lema “Nada substitui o talento” para Nádegas substitui o talento.
            Com o Bundismo caindo no gosto popular os baianos “vendo a mina” investiram nas “dancinhas”e a propósito no meu livro “Do Distrato Social (Da Nação pós Cabral),– ed.Universitária UFPE, 2000, – há varia referências ao assunto e apenas transcrevo uma delas: “Após nascer seu terceiro filho, o escribinha, (agora um Escriba respeitado) totalmente voltado para as papiradas, se apaixonou, por uma tremenda morenaça/aloiraçada que dançava a cobra subi.
Essa dança, muito na moda, na época, era uma variação da dança do ventre (só que não era dançada com o ventre) e fora inventada por um grupo musical de etíopes encantadores de serpentes entediados.
Entre eles, um grupo dissidente, cansado de ver cobras serem encantadas, resolveu que, ao invés de encantar as cobras, seria bem melhor escondê-las.
Como acharam o balaio onde as cobras se escondiam muito desconfortável para elas, resolveram escondê-las em outro local.
Como o som que fazia a cobra subir, para se esconder, era bum-bum bum-bum, passaram a chamar: dança do bumbum que esconde cobra. Essa nova dança, inventada em uma longínqua província chamada Barararhia, se espalhou mais depressa que as pragas de Moisés, por todo o Império e até por Impérios vizinhos, fazendo um tremendo sucesso entre os simpatizantes do escondecobrismo.
Posteriormente, foram inventadas pelos mesmos dissidentes, outras danças baseadas no mesmo som e ritmo e com a mesma finalidade; todas dançadas com o bum-bum, bum-bum para esconder cobras.
Alguns líderes das novas danças, desenvolveram uma modalidade toda especial de cantar nesse novo ritmo: Com a língua presa e fanhosamente. (havia outros líderes, naquela época, que não eram bumbunzeiros [ou eram e ninguém suspeitava] que também, tinham a língua presa, entretanto eram políticos opositores e sindicalistas).
Essa morenaça/aloiraçada fazia parte de um desses grupos de bumbunzeiros escondecobristas.
Tinha um fazedor de cobra subir que era um monumento e, apaixonado como estava, o Escriba, queria dar uma nhanhadinha.
Mas aonde levar a bumbumzeira? (ainda não tinham inventado os paraísos dos amantes os motéis, pois não existiam [por incrível que pareça] otoridades corruptas, juízes, coronéis e políticos que os financiassem e os legalizassem)
Casa de amigo? Nem pensar! E sua honra?
Meditando nhanhescamente constatou que nunca mais dera uma nhanhadinha com sua sacrossanta e fidelíssima esposa.”
            Para não ser prolixo as “dancinhas” baianas caíram no gosto dos iniciantes “Bumbunzeiros(as) escondecobristas”, hodiernamente “Poposudas” e é uma verdadeira epidemia nacional.
            Num país como o nosso com as mais variadas tendências culturais, com um crescente índice de analfabetismo cultural, com uma alarmante má distribuição de rendas, com uma crescente Favelação da Classe Média, o uso desse tipo de prazer (agitar vigorosamente e violentamente a *unda) agigantou-se no gosto popular e : “Vox populi, vox Dei”.Logo em seguida nasce:


Joana D’Arc., Madalena, Maria,
e tantas outras, e mais outras tantas,
mulheres puras, divinas e santas,
que áurea luz, das cabeças, resplendia.

Mas tudo mudou, vejo hoje em dia
Karlinha, Tiazinha, e outras tantas,
idolatradas e mudadas em santas,
a resplender a luz, – mas quem diria!
Meu pobre corpo, velho, por anoso,
que absorve aquela luz profunda,
extasiado, no mais divino gozo.

Minh’alma torta, toda se inunda,
com aquela luz que queima como fogo:
Luz divinal que acende aquelas Bundas!


            OBS: Recentemente colocando o termo “Bundismo” nos diversos “buscar” notei que há muitos novos “pais do Bundismo” e como havia retirado da Internet todos os meus textos (aproximadamente 500) eu resolvi republicar este e mais uns quatro. (Colocado quando da republicação, mas)

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A hipocrisia nossa de cada dia

            Quem João, o Batista, chamava de “raça de víboras”? Quem Jesus, o Cristo, comparava a “sepulturas caiadas”? Que representa a Catedral de “Notre Dame” para a fé cristã? Que é hipocrisia? Que tem a ver entre si estes questionamentos?
            Victor Hugo ao publicar Notre-Dame de Paris (1831), romance medievalista centrado na tragédia do corcunda Quasímodo e da cigana Esmeralda, nos deixou uma mensagem cifrada sobre a hipocrisia. Quasímodo é o nome eclesiástico da Pascoela e Esmeralda é a gema que representa a fidelidade feminina.
Podemos descortinar nessa tragédia quase autobiográfica, sua ligação com a jovem atriz Juliette Drouet, que a ele se devotaria até morrer, dois anos antes da sua, quando fez com que Esmeralda pedisse o auxílio a Quasímodo tocando o sino que ele nomeara de Juliette.
            Há toda uma carga simbólica paradoxal à “sepultura” que Jesus combatia, pois, ao contrário desta, Quasímodo era “feio por fora” e “bonito por dentro”. Esmeralda, mesmo cigana, mantinha-se fiel ao amor verdadeiro.
            Na afetação de uma virtude que não têm e se aparenta ter é que está centrada a maldade humana. Dizer sim quando  conscientemente o certo é dizer não é a mais vil forma de hipocrisia.
            Hipócrita era o homem ancestral e hipócrita é o homem atual. A hipocrisia é eterna e existirá enquanto houver quem a cultive.
            Os hipócritas conseguem ser hipócritas até quando têm certeza de não serem hipócritas. Ser hipócrita é negar-se a si mesmo, e de uma forma visceral. Percebe-se no “como você está” corriqueiro o quanto há de hipocrisia quando se responde o “estou bem”.
            São hipócritas quando invadem Favelas à cata de fiéis, para anunciar-lhes que hipócritas anteriores prometeram paraísos riquíssimos depois de se morrer.
            São hipócritas quando piedosos pelos simples fato de manterem, sempre e sempre, os alvos da piedade em condições de necessitar imprescindivelmente de ajuda por não terem dado a eles meios para progredirem e proverem suas necessidades.
            São hipócritas quando exortam a pobreza aos pobres de espírito com falsas alegações de pretensos deuses pobres para que a riqueza seja menos acessível a eles.
            São hipócritas quando criam deuses para perdoar castigos que sabem não existir para fazer com que parcos de instrução sigam na busca do perdão para eles verdadeiro.
            Às claras parecem "puros e limpos de coração", mas no "tête à tête", à socapa, nos escondidinhos, nos "por baixo dos panos", no banheiro são impuros e sujos tal qual "pau de galinheiro".
             Não buscam o céu, evitam o inferno e para isso "fazemos qualquer negócio".
            Não respeitam a lei – têm medo da cadeia e para isso usam e abusam da cega, surda, muda e manipulável justiça.
            Não são filantropos, burlam o fisco e para tal criam "institutos", "fundações", "ongs" e outras "maracutaias".

            São hipócritas anônimos. Hipócritas e hipócritas. Com o "faça o que digo e não faça o que faço" provam e comprovam que são hipócritas e hipócritas e hipócritas no significado mais vil da hipocrisia.

A Damasco

Vejo Jesus:
Bebê, menino, jovem, moço
Jovial ou sofredor
Sempre bom e sinto amor.

Vejo Krsna:
Em mil formas, sem igual.
De beleza enigmática.
Sempre meigo e sinto calma.

Sei que existem porque os vejo.
Vejo-os com os olhos
Sinto-os com o coração
A humana imperfeição
Bloqueia o coração.

Temos de ver
Temos de tocar
Temos de degustar
Temos de ouvir
Temos de cheirar
Temos de conhecer, para poder amar.

Sei que é proibido, até, perguntar: (podem me matar)

Onde encontro o clemente, o misericordioso Alá?

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Hexaedro, um conto sacro


Bosquejos Sacros


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Estais em o dia seis de o mês seis de o ano seiscentos e sessenta e seis de o sexto bilênio, de a formação de o vosso planeta, e/ou, em o dia seis de o mês seis de o ano seiscentos e sessenta e seis de o terceiro bilênio de o entender Jebukrma, Senhor e Salvador.
            Escolhi esta data importantíssima para vós, os Jebukrmas, pois hoje, em a viração de a tarde, a vossa Sagrada Seita completará três bilênios desde sua fundação e além de o mais, recentemente, por ser o Sagrado Arqueólogo, em um de os meus retornos a passados imemoriais, de este vosso planeta descobri, em o ano três mil d.C., data abolida por imprecisa, os primeiros escritos originais de a vossa Sagrada Seita, o Jebukrmaísmo.
            Passar-vos-ei a expor todos os Dezoito Sagrados Textos grafados em as Sagradas Placas detalhadamente, e, eles poderão causar-vos alguns desconfortos, mas, Amados Fieis, necessário se faz, a vós, que saibais a primordial verdade de os fatos.
            O importante para vós, ó Jebukrmas, é que, através de estes Textos Sagrados, possais ter a confirmação que em aquela imemorial época os líderes das seitas que predominavam, por ignorantes, disseminavam a ignorância a ponto de a grande maioria julgava ser necessário desconfortos mil para atingirem a felicidade celestial.
            Imagineis vós, amados Jebukrmas, que julgavam, equivocadamente, os líderes sectários de aquela imemorial e imprecisa data, que se fazia necessário o Sofrimento e a Dor como meio de purificação de o espírito, e, pasmeis: Para atingirem a suprema felicidade se fazia necessário o maior castigo de todos os castigos a... Pobreza.
            A vós importa é que, somente após entenderdes que qualquer desconforto é uma reação a um ato praticado erroneamente, possais, vós, amados Jebukrmas, aceitar os sagrados preceitos de a vossa Sagrada Seita, e entenderdes de uma vez por todas, que o vosso senhor Jebukrma afirma peremptoriamente, que este tal de pecado não existe, nunca existiu e nem nunca existirá. Vós percebereis este gradativo entendimento entre os primordiais Jebukrmas os quais, em aquele tempo imemorial, ainda preocupavam-se com esta baboseira de: Pecar e pedir perdão, pecar e pedir perdão, pecar e pedir perdão.
            Amados Fieis, o importante é que, saibais que as lideranças de as diversas seitas de aqueles tempos imemoriais, uma após uma, foram entendendo os preceitos de a vossa única verdadeira Sagrada Seita e foram se unindo a vós. Entretanto muitos queriam continuar mantendo os pomposos nomes de liderança como: Profeta, Iluminado, Papa, Lama, Aiatolá, Cardeal, Bispo, Pastor, Guardião, Pai-de-Santo, e cada um de per si queria poderes.
            Entendendo mais ainda, se espelharam em o Sagrado Seis e resolveram, por unanimidade, adotar o nome, levando em conta a experiência de vida e os muitos felizes anos bem vividos, de Hexavirum, para cada um de os Seis Mentores Primordias, os Hexavira, independentemente de raças, como a punida Lamanita, ou sexos, e todos com poderes iguais, em a vossa atual única Sagrada Seita o Jebukrmaísmo. E mais ainda, somente seis de entre os mais antigos Jebukrmas, podem receber este transcendental nome.
            Amados, também se faz importantíssimo que creiais em os Sagrados Depoimentos, tanto em o de os Três, quanto em o de os Seis, e para tanto os lerei como foram grafados em aqueles tempos imemoriais.

Depoimento de as Três

            SAIBAM todas as nações, famílias, línguas e povos a quem estes Sagrados Textos, aleluia, chegar, que nós, as Sagradas Hexavira Cíntia Jesabel Patrícia, Bárbara Ester Cybele, Tereza Agar Raquel que estes Sagrados Textos, aleluia, são os Sagrados Relatos, aleluia, de a Sagrada Origem, aleluia, de a nossa Única Verdadeira Sagrada Seita, aleluia, o Jebukrmaísmo, hosana. O nosso Senhor Salvador Jebukrma, hosana, toda glória, é testemunha de isso.

Depoimento de os Seis

            SAIBAM todas as nações, famílias, línguas e povos a quem estes Sagrados Textos, aleluia, chegar, aleluia, que nós, os Sagrados Hexavira, Leandro Leonardo Jefté, hosana, Tereza Agar Raquel, aleluia, Gabriel Pedro Buffon, hosana, Bárbara Éster Cybele, aleluia, Carlos César Krilov, hosana, Cíntia Jesabel Patrícia, aleluia, afirmamos, unidos como estamos, em espírito livre e em corpos nus, em a viração de a tarde, em esta tarde primaveril, em o Sagrado Caramanchão circundado por plantas silvestres floridas, roseiras cultivadas, orquídeas raras, meio a um encantador jardim, vizinho a um pequeno lago que orna o vasto terreno de três fabulosas mansões, que todos os Sagrados Acontecimentos, aleluia, acontecidos até em esta data totalmente arbitrária de três mil d.C., por nos ser imposta por a seita dominante até este momento, são a mais pura verdade verdadeira. O nosso Senhor Salvador Jebukrma, hosana, toda a glória, é testemunha de isso.

Sacro I


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Os desígnios divinos são insondáveis e aparentemente incompreensíveis, mas, amados, sigo sempre a máxima de Horácio: Docere cum delectare.
$
            Em a viração de uma tarde primaveril, em o Sagrado Caramanchão circundado por plantas silvestres floridas, roseiras cultivadas, orquídeas raras, meio a um encantador jardim, vizinho a um pequeno lago que ornava o vasto terreno de uma mansão, duas mulheres, uma rapariga, aparentando vinte anos; e uma matrona, aparentando o dobro de a idade de a rapariga, absortas, conversavam.
            – Minha amiga, (permita que assim te chame). a senhora não sabe como estou sofrendo! Não sei se suportarei a dor de este amor impossível.
            – Ó Senhorita Bárbara Ester Cybele, eu posso imaginar como sofres!
            – Não! Ó senhora Cíntia Jesabel Patrícia, tu não podes imaginar!
            – Sim, ó senhorita Bárbara Ester Cybele, eu posso.
            – Não podes!
            – Posso.
            – Não!
            – Posso, ô...
            – Calma! Pode! Senhora Cíntia Jesabel Patrícia, eu sei que tu queres me consolar e abrandar meu sofrimento, mas é impossível! O meu amor por o senhor Carlos César Krilov é imenso e sei que minha mãe, a senhora Maria Madalena Domitila, nunca irá concordar com a nossa união.
            – Ó senhorita Bárbara Ester Cybele, por que você foi amar o senhor Carlos César Krilov? Você não sabia que não pode amá-lo? Você não sabe que somente podemos nos unir a os de a nossa Seita? Você não sabe que ele é Apostólico Romano praticante, adora imagens, e ainda por cima Líder Carismático? E tem mais um fator agravante: não conhecemos as suas origens, ele pode ser pobre, pois ele reside com um amigo, em um apartamento modesto.
            – Ó minha amiga Cíntia Jesabel Patrícia, saber eu sei, mas eu não tenho culpa se meu ensandecido coração teima em amar o senhor Carlos César Krilov, mesmo sabendo, este meu tresloucado coração, que eu sou filha de um Diácono de a Seita e, meu pai, senhor Gabriel Pedro Buffon, proximamente será Presbítero.
            – Minha amiga Bárbara Ester Cybele, por teu pai, senhor Gabriel Pedro Buffon, até que poderia ser possível, pois ele é mais aberto, entretanto, sei que por a senhora tua mãe, dona Maria Madalena Domitila, é impossível, pois ela é uma fiel fervorosa e segue os sagrados ensinamentos de as Santas Escrituras, aleluia, a o pé de a letra. E além de o mais, dona Maria Madalena Domitila sabe muito bem que é o maior sacrilégio se unir em pecados de a carne a um homem que é um adorador de imagens, pois a senhora sua mãe, dona Maria Madalena Domitila, antes de aceitar o nosso senhor Jebukrma, aleluia, já se uniu muitas vezes com homens Apostólico Romano, homens Kardecista, homens Umbandista, homens Islâmico, homens Judeu, homens Mórmon, homens Ateus,e, só foi ter sossego e paz depois de se unir a o teu pai, senhor Gabriel Pedro Buffon, Diácono em nossa Seita.
            – Pois é exatamente por isso que minha mãe, a experiente e muito experimentada senhora Maria Madalena Domitila, não permite nossa união. Que farei, ó minha amiga Cíntia Jesabel Patrícia? De que maneira eu poderei me unir a o meu amado Carlos César Krilov?
            – Ó minha amiga Bárbara Ester Cybele, teu problema é quase insolúvel, pois somente haveria uma possibilidade: Se teu amado Carlos César Krilov aceitasse o nosso senhor Jebukrma, hosana, e viesse para a nossa Seita.
            – Ó minha querida amiga Cíntia Jesabel Patrícia, penso que ele já aceitou o senhor Jebukrma, hosana, pois ele também cumpre todos os rituais de sua Seita.
            – Não, Bárbara Ester Cybele, o verdadeiro senhor é o nosso senhor Jebukrma, toda glória!
            – Não, Cíntia Jesabel Patrícia, acho que somente existe um senhor, e, mudam apenas os nomes, e o de o meu amado Carlos César Krilov, é o mesmo nosso e...
            – Momento! Nunca diga uma blasfêmia de esta, ó Bárbara Ester Cybele, o nosso senhor Jebukrma, hosana, é diametralmente oposto a o de o seu amado Carlos César Krilov! Peça perdão a o nosso senhor Jebukrma, hosana, senão Ele poderá te castigar terrivelmente com a Pobreza.
            – Minha amiga Cíntia Jesabel Patrícia, por que o nosso senhor Jebukrma, aleluia, poderá querer castigar-me? Impingir-me a terrível Pobreza somente porque estou amando um homem que não pertence a minha Seita?
            – Minha querida Bárbara Ester Cybele, eu sei de o que estou falando! Primeiro eu sou mais velha e mais experiente que você. Segundo eu vou confessar-te um segredo: Antes de aceitar o nosso senhor Jebukrma, toda glória, hosana, mesmo tendo a metade de a idade de a senhora sua mãe dona Maria Madalena Domitila, eu também já me uni com muitos e muitos homens que não aceitavam o nosso senhor Jebukrma, hozana, e sabe qual foi o castigo: Todos me abandonaram e me deixaram com filhos para criar. Foi ou não foi castigo?
            – Momento! Minha querida amiga senhora Cíntia Jesabel Patrícia, o seu filho mais velho está com oito anos e você está unida com o senhor Leandro Leonardo Jefté, nosso Presbítero, há dez anos. Como pode ser isso? Será...
            – Pois é exatamente o meu castigo, ó Bárbara Ester Cybele, o senhor Leandro Leonardo Jefté, nosso Presbítero, é um homem bom e tem me perdoado todas as vezes que eu, fraquejando, cometo um pecado de a carne. Não somente me perdoa, como também, investido de o poder a ele dado por o nosso senhor Jebukrma, hosana, também me dá o Seu perdão.
            – Ó minha amiga Cíntia Jesabel Patrícia, me perdoe em a intromissão em sua privacidade, mas como você, abrindo o seu coração, fez-me esta confidência, eu quereria saber por que todos os seus filhos, mesmo sendo filhos de pais diferentes, são tão parecidos uns com os outros e com o senhor Leandro Leonardo Jefté, nosso amado perdoador e boníssimo Presbítero?
            – Ó minha amiga e agora confidente Bárbara Ester Cybele, primeiramente porque todas as vezes que eu estava grávida o senhor Leandro Leonardo Jefté, nosso amado Presbítero sabia; sabia e me perdoava e pedia perdão para mim a o nosso senhor Jebukrma, toda a glória, e como certeza de ter sido perdoada os meus filhos são todos parecidos; segundamente porque sempre e sempre, quando eu, em pecado de a carne, me unia a homens, sempre procurava aqueles que se parecessem com o senhor Leandro Leonardo Jefté, nosso amado e honradíssimo Presbítero, estás ligada?
            – Minha amiga Cíntia Jesabel Patrícia, o poder de o perdão de o nosso senhor Jebukrma, hosana, é impressionante!! Entretanto, diga-me uma coisa: Como era que o senhor Leandro Leonardo Jefté sabia que você estava em pecado de a carne e que o filho não era dele?
            – Ó minha amiga Bárbara Ester Cybele, vou te confessar mais um segredo: O senhor Leandro Leonardo Jefté, nosso amado Presbítero, nasceu em um sítio lá em o sertão de o Moxotó, e bebia muito leite mugido. Contraiu brucelose e ficou estéril desde os doze anos e além de o mais, devido a sequelas de a doença, aos trinta e seis anos ficou impotente, e, por isso é que ele resolveu estudar para ser Presbítero de o nosso senhor Jebukrma, hosana.
            – Ó minha querida amiga e confidente Cíntia Jesabel Patrícia, já que estamos abrindo os nossos corações uma para a outra, eu também vou te confessar uma coisa: Mesmo eu tendo menos de a metade de a sua idade eu não sou mais virgem, e, antes de me unir em pecados de a carne, com o Carlos César Krilov, eu já me uni em pecado de carne com... Com. (deixa-me lembrar) com mais ou menos dez rapazes, sem contar com os pré-adolescentes.
            – Minha querida amiga Bárbara Ester Cybele, agora despertou em mim a curiosidade feminina: Com que idade você deixou de ser virgem?
            – Ó minha amiga e confidente Cíntia Jesabel Patrícia, sabe que não me lembro! Acho que foi aos nove anos pois eu ainda não tinha os trinta quilos para poder estar apta para reproduzir. É! Acho que foi, pois pernoitava, lá em a casa de os meus pais, em o sertão de o Pajeú, um caixeiro viajante, e eu tenho quase certeza que foi com ele. Mas isso não tem a menor importância! Aceitei o nosso senhor Jebukrma, aleluia, e atualmente só me uno em pecado de a carne, seis vezes por semana, com o meu amado Carlos César Krilov.
            – Realmente, ó minha querida amiga Bárbara Ester Cybele, nada de isso tem importância, pois eu também deixei de ser virgem mais ou menos com nove anos. Se realmente nos arrependermos todas as vezes que pecarmos em a carne, e, pedirmos perdão, nós seremos perdoadas, pois sobre o número de vezes o nosso senhor Jebukrma, hosana, disse e está escrito nas Sagradas Escrituras, aleluia: “Não te digo até sete, mas até setenta mil vezes sete mil”, aleluia, isto é, quatrocentos e noventa milhões.
            – Correto, ó minha querida amiga Cíntia Jesabel Patrícia! Mas o que devo fazer para a senhora minha mãe, a experiente e experimentada dona Maria Madalena Domitila aceitar minha união com o atual único e verdadeiro amor de a minha vida, o senhor Carlos César Krilov? Não estou mais suportando esta ausência por demais prolongada.
            – Momento! Ó minha querida amiga Bárbara Ester Cybele, que ausência prolongada é esta se vocês se unem em pecados de a carne seis vezes por semana?
            – Ó minha querida amiga e confidente Cíntia Jesabel Patrícia, você acha que com o amor, maior que o amor de Absag de Sunam a amada sunamita por o rei Salomão, que sinto por o meu amado senhor Carlos César Krilov, isso representa alguma coisa? Eu desejo ardentemente estar em pecado de a carne com o meu amado senhor Carlos César Krilov, e com todas as forças de o meu dolorido coração é seis vezes por hora!
            – Paciência! Paciência, ó minha querida amiga Bárbara Ester Cybele, paciência. Haveremos juntas, de encontrarmos uma saída satisfatória para este teu angustiante problema. Unamos os nossos corpos e as nossas almas e façamos uma oração fervorosa a o nosso senhor Jebukrma, hosana, para que Ele, hosana, nos aponte um meio de solucionarmos este terrível impasse, a nós, pobres mulheres sofredoras.

Sacro II


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, não vos escandalizeis com estes acontecimentos, pois todos vós pertenceis a o imperfeito gênero humano. Percebais que até em a maneira de tratarem-se há imperfeições quanto ao uso de as pessoas verbais e de os próprios verbos flexionados. Ainda percebais que quando em público ou em sociedade a maneira de tratarem-se muda sobremaneira. Havia em aquele imemorial tempo muita falsidade e muita dissimulação, mesmo entre os primordiais Jebukrmas.
$
            Enquanto esta cena se desenrolava entre as duas amigas e confidentes, senhorita Bárbara Ester Cybele e senhora Cíntia Jesabel Patrícia que neste exato momento elevavam os seus corações puros e angistiados, em fervorosa oração a o senhor Jebukrma, ali mesmo em aquele Sagrado Caramanchão, circundado por plantas silvestres floridas, roseiras cultivadas, orquídeas raras, meio a um encantador jardim, vizinho a um pequeno lago que ornava o vasto terreno de uma mansão, outra cena se desenrolava envolvendo o senhor Carlos César Krilov, amado de a senhorita Bárbara Ester Cybele, amiga e confidente de a senhora Cíntia Jesabel Patrícia, e seu amigo, senhor Alexandre Judas Alberto, em o modesto apartamento, em um prédio modesto, de um subúrbio modesto onde modestamente viviam.
            – Xandoca, não tenha ciúmes não! Você sabe que eu só amo você e mais ninguém. Nosso amor é igual a o de Davi por Jônatas, e é melhor que o amor de as mulheres.
            – Catito, claro que sempre eu vou ter ciúmes! Principalmente agora que você está enrabichado por aquela sirigaita cansada de guerra. Claro que vou ter ciúmes e pronto! Pronto e pronto!
            – Xandoca, que enrabichado que nada! O que eu quero é entrar naquela bufunfa. O pai dela é Diácono e já está estudando para Presbítero. Já e já ele é ordenado e recebe uma Igreja. Veja o amigo dele, o Presbítero Leandro Leonardo Jefté: Carro importado e de o ano, aquela mansão que tem mais serviçal que Gabinete de Deputado, só vive viajando o mundo todo em missão evangelizadora. Já pensou: Nós dois dentro de aquela mina.
            – Nós dois não! Você! Você é quem anda adentrado em aquela mina e também adentrando em aquela sirigaita cansada de guerra.
            – Ciúmes novamente! Meu querido, eu estou fazendo este sacrifício somente porque te amo, e, amo de verdade. Deixa de ciúmes tolos, Xandoca, e vamos bolar um meio de metermos a mão em aquela mina de ouro. A Bárbara Ester Cybele me confidenciou que o pai dela vai receber uma igreja com mais de mil membros. Sabes o que é mil fiéis pagando o dízimo obrigatório e ainda dando a coleta. Por baixo, por baixo rende mensalmente para o serviço de evangelização uns (levando em conta um per capta de U$ 100,00) U$ 100.000,00, e dez por cento é para o Presbítero, isto é, U$ 10.000,00 e livre de despesas. Vale ou não vale a pena de ter um sogrinho deste?
            – Eu ainda prefiro que você continue como Líder Carismático e que estude para ser Padre. E, além de o mais como Padre você estará impedido pelos votos, de se juntar em pecados de a carne com mulher.
            – Outra vez está falando a ciumeira! Xandoca, meu amor, como Padre eu nunca que vou meter a mão em a bufunfa! Somente quem pode fazer isso é de Bispo para cima, e a concorrência é imensa. E além de o mais fiel Apostólico Romano não é obrigado a pagar o dízimo, e, o dinheirinho que pinga em os santinhos mealheiros, mensalmente, é uma merreca.
            – Certo! Certo! Mas também não precisa ficar com aquela mocréia mocoronga seis vezes por semana. Você fica tão esgotado e prejudicado que somente sobram pra mim umas migalhas!
            – Também não é assim não. Eu dou conta de o recado direitinho. E além de o mais com a mocréia é puro investimento em o futuro e com você, Xandoca, é por amor.
            – Sei que é por amor senão eu já teria arrumado outro bofe, o que aliais, não falta. E tem mais! Por que você não me deixa trabalhar? Eu garanto que posso ajudar em as despesas de o nosso modesto apartamento.
            – Xandoca, já te proibi de tocar em este assunto! Eu não admito nem pensar que estas mãozinhas que foram feitas para acariciar faça qualquer outra coisa. De jeito nenhum! Pronto. Pronto e pronto.
            – Certo, Catito! Não precisa ficar nervoso! Nunca mais tocarei em o assunto. Juro de pés juntinhos. Nunquinha e nunquinha e nunquinha.
            – Xandoca, meu amor, o que nós temos é de arranjar um meio para convencer aquela cascavel, a tal de Maria Madalena Domitila, a aceitar minha união com a Bárbara Sybele, isso sim.
            – Catito, e por que você não entra pra Seita de ela? Com toda desgraça é melhor amar fiel sectário rico de o que carismático pobre. Os deuses não são os mesmos?
            – Xandoca, minha vida, hoje eu estou que estou! Depois temos de examinar esta possibilidade com mais carinho, mas, agora, vamos...

Sacro III


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, deixeis por hora a senhorita Bárbara Ester Cybele e a senhora Cíntia Jesabel Patrícia aguardando a divina resposta para a solução de o problema que as perturba, e, também deixeis por hora o senhor Carlos César Krilov, o Catito, e o senhor Alexandre Judas Alberto, o Xandoca, no bem bom, e já com a provável solução para meter as mãos em a bufunfa, e dando tratos às bolas em a elaboração de a estratégia, e vos concentreis em um casal, em a manhã de o dia seguinte, pelas dez horas, (hora de os amantes secretos), em uma luxuosa suíte de um luxuoso motel em um luxuoso bairro, que, depois de terem ingerido uma excelente dose de um excelente uísque importado, em o antes; agora, em o depois, degustavam excelente charutinho cubano.
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            – Pedrito, minha vida, ontem em à tardinha eu conversei com tua filha, a Bárbara, e ela me falou, abrindo o seu puro e sofredor coração, que está apaixonada por um rapaz e que vocês, tu e tua mulher, não quereis permitir a união deles. Que coisa mais antiga! Por que você não procura o rapaz e tenta trazê-lo para a nossa Seita. Não é mais civilizado!
            – Momento, Cintinha, eu estou sabendo, e, por mim eles já estavam unidos há muito tempo! O problema é que a catraia de a Domitila, não quer de jeito nenhum.
            – É mesmo, Pedrito? Qual é o motivo que ela alega?
            – Sei lá eu, minha vida. Ora alega que a menina é muito nova e inexperiente, ora alega que o rapaz não tem berço e nem dinheiro, ora alega que é sacrilégio porque ele é Líder Carismático, sei lá eu o que se passa em a cabeça de aquela mucurana.
            – Meu amor, muito me admira que a tua mulher seja contrária a união de os que verdadeiramente se amam. Será que ela já se esqueceu de o passado?
            – Esqueceu que nada! Ela pensa que eu não sei que quando ela era mais nova dava mais de o que chuchu em a cerca. Agora depois que ficou aquele tribufu, quer dar uma de puritana. E o que é o pior, sem conhecer o rapaz, tomou um ódio de ele que não quer nem ouvir falar em seu nome.
            – É realmente muito estranho! Uma mãe que impede de a filha ser feliz com quem ama. Estranho mesmo!
            – Olhe, Cintinha, minha vida, vou te confessar um segredo, mas quero que você jure pela alma de a sua mãe que já morreu.
            – Juro por Jebukrma, hosana, Pedrito!
            – Por Jebukrma, hosana, não! Só te digo de você jurar pela alma de a sua mãe.
            – Está certo: Juro por a alma de a minha mãe.
            – Escute, minha vida: A Bárbara não é nossa filha não. Ela foi abandonada em a porta de a nossa casa lá em o sertão de o Pajeú, mas eu a criei como minha filha, com registro e tudo. Mas a Bárbara nunca soube.
            – Não posso acreditar! A Bárbara não é filha...
            – Acredite, Cintinha, minha vida.
            – Não acredito!
            – Acredite, Cintinha.
            – Não acredito! Recuso-me a acreditar!
            – Acredite! É a mais pura verdade.
            – De jeito e maneira! Não acredito!
            – Acredite, sua...
            – Certo! Acredito. Não precisa ficar nervoso! Acho que isso explica muita coisa. Mas vamos deixar este assunto para outra hora. Vamos tomar outra dose e...

Sacro IIII


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, percebeis como a existência surpreende? Famílias aparentemente sem problemas, mas que guardam profundos e misteriosos segredos. Como seria bom se todos vós quer ricos ou pobres, quer bonitos ou feios, quer homens ou mulheres, nunca tivésseis segredos para serem revelados, nunca tivésseis pecados para serem confessados e que a vida transcorresse como em a santa paz celestial, mas volteis a vossa história, ou melhor, volteis aos acontecimentos que deixamos em suspenso.
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            Dias depois de estes fatos terem acontecidos, em a tardinha, estando a senhorita Bárbara Ester Cybele conversando com a senhora Cíntia Jesabel Patrícia, em o mesmo Sagrado Caramanchão, cercado de as mesmas plantas silvestres com nova florada, as mesmas roseiras cultivadas com novas rosas, as mesmas orquídeas, junto a o mesmo laguinho, meio a o imenso terreno que circundava a mansão; e tão absortas estavam que nem perceberam a aproximação de o senhor Carlos César Krilov, acompanhado de o seu inseparável amigo, o senhor Alexandre Judas Alberto, ambos modestamente trajando calças jeans surradas por o uso, camisas com os colarinhos puídos, e cada um calçando em um pé um sapato cambado por o constante uso, e em o outro pé uma sandália havaiana quase sem a parte, por gasta, que protege o calcanhar de eventuais queimaduras por esquecidas beatas acesas, ou machucaduras quer por pedrinhas ou outra coisa pontiaguda.
            Quem primeiro os percebeu foi a senhora dona Cíntia Jesabel Patrícia, que a o vê-los, tomada de súbita emoção de pavor, deu um tremendo pulo por sobre a pequena mureta de o caramanchão, indo cair estatelada bem dentro de o laguinho, bradando a plenos pulmões:
            – Vigilantes, socorro! Acudam Jesus, Buda, Krsna, Maomé!
            A senhorita Bárbara Ester Cybele, ouvindo o estarrecedor brado, sem perceber a presença de o seu amado senhor Carlos César Krilov e de o seu amigo senhor Alexandre Judas Alberto, correu em ajuda de a senhora Cíntia Jesabel Patrícia que, erguendo-se totalmente encharcada, cabelos desgrenhados, maquiagem borrada a escorrer pela face, e ficando totalmente estática, apenas apontava para os recém-chegados. A senhorita Bárbara Ester Cybele segurou-a firmemente, pois percebeu que a senhora Cíntia Jesabel Patrícia estava tendo uma síncope.
            Quando, a o virar-se para onde o braço hirto de a senhora Cíntia Jesabel Patrícia apontava, a senhorita Bárbara Ester Cybele reconhecendo o amado, e, tomada por súbita emoção amorosa, largou a senhora Cíntia Jesabel Patrícia para atirar-se em os envolventes e másculos braços de o senhor Carlos César Krilov, seu atual e único verdadeiro amor.
            Solto, o corpo desmaiado de a senhora Cíntia Jesabel Patrícia, e, em estado de rigidez cadavérica, oscilou um pouco para frente, e, voltando a posição vertical, subitamente tombou hirto para traz indo estatelar-se novamente em o raso laguinho, entretanto, o braço retesado apontava para o firmamento, e o dedo em riste talvez mostrasse anjos ou arcanjos ou quem sabe até um OVNI.
            Foi um Deus me acuda: O senhor Carlos César Krilov e seu inseparável amigo, senhor Alexandre Judas Alberto correram para evitar que a senhora Cíntia Jesabel Patrícia, em supino, imersa em o laguinho, bebesse mais água. A senhorita Bárbara Ester Cybele, sem saber o que fazer em aquele instante ora tentava abraçar o seu amado, senhor Carlos César Krilov, ora tentava salvar a senhora Cíntia Jesabel Patrícia, sua amiga e confidente.
            Os vigilantes, uns doze mais ou menos, armados até os dentes, cada um bramindo um potente porrete, e atarantados por o brado tresloucado que ouviram, vieram em desabalada carreira e a o divisarem a cena, equivocados, pensaram tratar-se de tentativa de homicídio, e, adestrados como eram, caíram de porrete em cima de o senhor Carlos César Krilov e de seu amigo, senhor Alexandre Judas Alberto.
            A coça somente não foi mais duradoura e eficiente, porque a senhorita Bárbara Ester Cybele, aos brados de: – Larga, eu os conheço – pôs fim a o que poderia ter sido um massacre.
            Serenado os ânimos, a horda de vigilantes assumiu seus postos, depois de certificarem-se que tudo estava sobre controle, e, sob uma tremenda reprimenda de o seu chefe, que os ameaçava com todos os castigos possíveis e imagináveis. Apenas ficaram em o caramanchão: a senhorita Bárbara Ester Cybele, a senhora Cíntia Jesabel Patrícia, recuperando-se de o tremendo susto, o senhor Carlos César Krilov e o senhor Alexandre Judas Alberto, contando as baixas, ou melhor, tentando esclarecer o lamentável incidente.
            – Meu amado, como vocês passaram pela segurança sem serem vistos? Que loucura! Já imaginaram se os Pit-Bulls e os Filas estivessem soltos? Vocês são loucos?
            – Senhorita Bárbara Ester Cybele, nós nos esgueiramos por entre a vigilância para que não nos vissem, e, se existe um louco por aqui este é o seu amado. (Ai que dor nas costas! Que brutamontes! Estou mais quebrado de o que arroz de terceira!)
            – Confesso, ó minha amada, sei que estou louco, mas é louco de amor, e pretendia fazer-te uma surpresa. (Ai que dor! Minha caixa torácica dói tanto que mal posso respirar.)
            – Meus jovens, se vocês queriam nos fazer uma surpresa, deem-se por realizados. Outra de essa e eu irei diretinha para a glória de o meu amado senhor Jebukrma, hosana. Mas, de outra vez por o menos se identifiquem com os vigilantes, pois sei que são compreensivos e certamente não iriam estragar-lhes a surpresa, e eu não estaria neste estado de extrema miséria, que mais pareço protegida de a madre Tereza de Calcutá.
            – Madame Cíntia Jesabel Patrícia, é mais fácil político falar a verdade de o que estes trogloditas entenderem o que um homem apaixonado pode fazer para surpreender a sua amada. (Ai, meu tórax, como dói! Estou com a impressão que somente me sobrou sem fraturas, uma costela.)
            – Meu rapaz, anime-se! Realmente a surpresa, para todos nós, foi em demasia.
            – Meu amigo senhor Carlos César Krilov, de a próxima vez que quiser fazer uma surpresa a sua amada, me avise que eu quero alugar um tanque de guerra. (Ai, como dói! Procure, por favor, junto a o laguinho, pois eu tenho certeza que encontrarás algumas costelas minhas, e, quem sabe, até algumas vértebras.)
            – Bom, rapazes, quero tomar outro banho, desta vez com bastante calma, e depois quero saber direitinho o que os motivou a fazer tão surpreendente surpresa. Vamos adentrar a minha modesta casa. Tenham a bondade.
            Depois de terem-se cuidado, todos se encontraram em a imensa sala de estar da imensa mansão.
            – Senhora dona Cíntia Jesabel Patrícia, estamos muito agradecidos, eu e meu amigo, senhor Alexandre Judas Alberto, por ter a senhora nos presenteado, através de vosso mordomo com estes ternos novos, e sapatos e mais peças complementares, que, diga-se de passagem, se adequaram perfeitamente, aos nossos corpos um tanto quanto triturados por o inusitado, e de hoje em diante, absolutamente evitado, encontro com seus vigilantes.
            – Nada tendes a agradecer-me senhores... Senhores...
            – Oh! Minha amiga, senhora Cíntia Jesabel Patrícia, que gafe esta a minha! Mas, premida por o desejo de limpar-me e trocar-me, depois de aquela surpresa um tanto quanto, como direi, um tanto quanto estrambótica e por que não estapafúrdia, e aproveitando o ensejo a exemplo de o meu amado, agradeço para a senhora por estas roupas limpas, a mim fornecida pela sua gentil governanta, que depois as devolverei, eu me esqueci de as apresentações. Tenho a honra de apresentar a minha amada amiga, senhora Cíntia Jesabel Cybele, o meu atual amado o senhor Carlos César Krilov e seu inseparável amigo, o senhor Alexandre Judas Alberto.
            Depois de as apresentações e como estava bem próximo de a hora normal de a chegada de o Presbítero, senhor Leandro Leonardo Jefté, a o seu sacrossanto lar, convidou-os, a senhora Cíntia Jesabel Patrícia, para que ficassem para o jantar e que, e adiantou que, se assim os rapazes o quisessem, poderiam relatar o motivo de a inusitada surpresa.
            Aceito o convite, por os três, todos foram para a biblioteca onde poderiam ou ler um pouco, ou jogar um pouco, ou conversarem.

Sacro V


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, continueis observando como o Destino urde e prepara a sua trama, pois, quem poderia imaginar que três de os personagens fundadores de a vossa Sagrada Seita encontrar-se-iam de forma tão desconcertante e que, em este exato momento se encontram em uma biblioteca, calmamente conversando sobre amenidades, enquanto esperam um certamente lauto jantar, pois afinal encontram-se em a luxuosa mansão de um Presbítero de um de os maiores templos de o país.
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            Mas, enquanto aguardavam em a biblioteca, a senhorita Bárbara Ester Cybele, senhora Cíntia Jesabel Patrícia e os senhores Carlos César Krilov e Alexandre Judas Alberto, não tão longe de ali, em a residência de o senhor Gabriel Pedro Buffon e senhora Maria Madalena Domitila, talvez outro acontecimento marcante poderia estar preste a acontecer.
            – Ô Gabi, seu pamonha, vamos fazer uma visita a aquela catraia parasita, a tal de a Cíntia Jesabel Patrícia, e a aquele banana que é o Presbítero Leandro Leonardo Jefté. Escute bem: Quando você for Presbítero quero também um carro importado, com motorista e tudo, somente pra mim.
            – Certo, minha Fortaleza Celestial, vamos que estou mesmo necessitando de fazer uma visita a aquele lalau que anda superfaturando os serviços para a glória de o nosso senhor Jebukrma, hosana, e embolsando boa parte, além de os seus dez por cento de a renda bruta, que por sinal com esta crise, que anda por aí, eu aproveitei e espalhei o boato que provavelmente a crise é castigo por o não pagamento de o dízimo e sabes que a receita duplicou!
            – Não estás fazendo mais que tua obrigação. Quanto mais arrecadação mais poder-se-á divulgar os santos ensinamentos de o nosso senhor Jebukrma, toda glória.
            – Olhe, minha Fortaleza Celestial, eu tenho notado que a nossa Bárbara Ester Cybele tem andado meio sorumbática. O que será que está acontecendo com ela? Será que aquele frangote que andava arrastando asas pro lado de ela bateu asas e foi cantar em outro terreiro?
            – Nossa não! Pode ser tua. E é muito bom que tu tenhas tocado neste assunto porque eu a prometi para se unir a aquele Bispo de a Universal que faz três meses ficou viúvo, depois que o jatinho particular de ele caiu e matou a besta-fera de a mulher dele.
            – Excelente, ó minha Fortaleza Celestial, pois somente assim a gente tira as despesas que temos tido com ela desde que a abandonaram em nossa porta. Excelente! Mas vamos jantar que quero chegar cedo até a mansão de o Leandro Leonardo Jefté. Outra coisa, minha Fortaleza Celestial, não diga pra ninguém que vamos negociar com o Bispo de a Universal, senão pode pegar mal pra gente.
            – E quem é você pra estar-me dando conselhos! Deixa de ser besta e vamos tomar logo este café, senhor Gabi, seu pamonha!
            Tendo terminado de jantar, ambos se aprontaram o senhor Gabriel Pedro Buffon tirou o Santana de a garagem, e foram em direção de a luxuosa mansão de o Presbítero Leandro Leonardo Jefté.
            Não tinham andado nem trezentos metros, e senhor Gabriel Pedro Buffon notou que o pneu dianteiro esquerdo do Santana estava esvaziando. Estacionou o carro em o acostamento e foi trocar o pneu.
            Depois de desapertar os parafusos de a roda, colocar o macaco e levantar o carro foi tirar o pneu de suporte.
            – Somente me faltava esta! Não é que o danado deste pneu está vazio! Ó minha Fortaleza Celestial, quem andou por último com este carro?
            – Fui eu, Por quê? Algum problema?
            – De jeito nenhum, minha Fortaleza Celestial! Acho que quando eu andei de carro em o mês passado o pneu furou e não é que eu me esqueci de mandar consertá-lo.
            – Gabi, seu banana, arranje um jeito de consertá-lo e logo, pois quero fazer uma surpresa a aquela catraia de a Cíntia Jesabel Patrícia ainda hoje. Vá e se vire!
            O Senhor Gabriel Pedro Buffon saiu em a direção de uma borracharia que havia ali por perto.

Sacro VI


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, deixeis o Sr Gabriel Pedro Buffon com a incumbência de consertar o pneu de o seu Santana, e volteis até a mansão de o senhor Leandro Leonardo Jefté. O destino e seus mistérios! Um simples prego em uma estrada como pode mudar os acontecimentos. Será que dará tempo de consertar o pneu e chegar até a casa de o Presbítero e provavelmente flagrar os dois amados sendo alcovitados pela senhora Cíntia Jesabel Patrícia e o senhor Leandro Leonardo Jefté e em a presença de o senhor Alexandre Judas Alberto. Sigamos para a luxuosa mansão
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            – Minha Segurança Divina, este é o senhor Carlos César Krilov, amor para vida inteira, de a nossa amiga Bárbara Ester Cybele, e este belo adolescente é o senhor Alexandre Judas Alberto, amigo e companheiro de apartamento de o senhor Carlos César Krilov.
            – Muito prazer em conhecê-los, e que a graça de o nosso senhor Jebukrma, hosana, toda glória, esteja convosco, agora e para todo o sempre.
            – Senhor Carlos César Krilov, o senhor poderia nos contar o motivo de esta visita surpresa e consequentemente aquela bela, digo, terrível coça?
            – Eis aí, senhora Cíntia Jesabel Patrícia o motivo de a nossa dolorida visita/surpresa: Eu e meu inseparável amigo, senhor Alexandre Judas Alberto, cansados de sofrer neste mundo de aparências enganosas, viemos em verdadeira peregrinação, como pôde a senhora, dona Cíntia Jesabel Patrícia, comprovar em virtude de os nossos humildes trajes com os quais aqui chegamos, em a procura de um pouco de alento para os nossos espíritos atormentados.
            – Meus jovens, senhores Carlos César Krilov e Alexandre Judas Alberto, se bem entendi, como representante de o nosso senhor Jebukrma, hosana, os jovens estão em a procura de salvação para vossas aflitas almas, e afirmo que não poderiam ter vindo a lugar mais perfeito.
            A senhorita Bárbara Ester Cybele, juntamente com a senhora Cíntia Jesabel Patrícia, em êxtase religioso, lançaram-se a o chão ajoelhadas e com o rosto colado em o esplendoroso tapete persa em atitude de humildade, e a senhorita Bárbara Ester Cybele, depois de receber a sagrada alegria deu graças.
            – Obrigada, ó meu senhor Jebukrma, toda glória, por ter, aleluia, dado ouvidos, aleluia, a humilde oração, aleluia, desta tua mais humilde serva, aleluia, quando juntamente com a senhora Cíntia Jesabel Patrícia, aleluia, estávamos em o caramanchão, aleluia, e a Vós, hosana, ó nosso senhor, toda a glória, fervorosamente, pedimos para que nos destes a solução, aleluia, de o meu problema.
            Os jovens rapazes, meio aturdidos com a cena, apressaram-se para erguer de o chão a senhora Cíntia Jesabel Patrícia e a senhorita, Bárbara Éster Cybele, em o que foram impedidos por o Presbítero, senhor Leandro Leonardo Jefté.
            – Meus jovens, vocês estão presenciando mais um milagre. Certamente a minha sacrossanta Cíntia Jesabel Patrícia, juntamente com a sua amada, senhorita Bárbara Ester Cybele, acabaram de receber uma graça concedida por o nosso senhor Jebukrma, toda glória, hosana!
            Passados alguns minutos, em aquela posição um tanto quanto esdrúxula, erguerem-se ambas, e já em seus estados normais.
            – Meu amado senhor Carlos César Krilov, nós pedimos em oração, eu e minha amiga e confidente, senhora Cíntia Jesabel Patrícia, que tu deixasses de ser um adorador de imagens e te convertesse a nossa santa, única e verdadeira Seita, e por acréscimo, como bonificação especial, o nosso senhor Jebukrma, hosana, tocou também o coração, aleluia, de o teu inseparável amigo, senhor Alexandre Judas Alberto, aleluia, amém.
            – Minha amada senhorita Bárbara Ester Cybele, realmente um desses dias estávamos em nosso apartamento, eu e meu amigo e confidente, senhor Alexandre Judas Alberto, e sentimos algo de celestial em o nosso fundo, ou melhor, em o nosso âmago de nossas almas e resolvemos vir procurar-te para convertidos, por o agora nosso senhor Jebukrma, hosana, ingressar para a tua Seita e termos o nosso nome escrito, aleluia, em o Sagrado Livro de a Vida, aleluia, e estarmos salvos para sempre!

Sacro VII


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, retorneis a o senhor Gabriel Pedro Buffon e a senhora Maria Madalena Domitila que havíeis deixado atrapalhado com um pneu furado.
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            O senhor Roberto Gabriel deixou o Santana estacionado de o acostamento e saiu em direção de a provável borracharia para providenciar o conserto de o pneu. Não havia andado nem doze metros quando:
            – Gabi, seu pamonha, você por acaso está pensando em deixar-me em esta rua esquisita sozinha e em a mercê de todos os facínoras de o país, seu desalmado!
            – Minha Fortaleza Celeste, o que é que eu posso fazer? Porventura, minha Fortaleza Celestial, você acompanhar-me-ia até a borracharia que provavelmente fica a uns três quarteirões de onde estamos?
            – Claro que não, seu pamonha! O senhor sabe que sou inimiga de esforço físico.
            – E para este impasse o que é que a minha Fortaleza Celeste sugere?
            – Ora seu banana! Se vire e empurre o carro. E tem um detalhe: Eu vou a o volante somente para te ajudar concordas, senhor Gabi?
            – Mas minha Fortaleza, como eu poderei empurrar um veículo de este tamanho, e, ainda por cima com um pneu furado? Se eu fosse Sansão, por você, não somente arrancaria os portões de a cidade de Gaza e os levaria para o alto de a montanha em Hebron, mas traria a borracharia até aqui, e além do mais, posso até ter um acidente cardiovascular, ó minha Fortaleza Celeste!
            – Garanto que não! Você tem saúde para dar e vender, e, além de o mais: Vaso ruim não se quebra! E ande logo que eu ainda quero chegar hoje em a mansão de aquela catraia, a senhora Cíntia Jesabel Patrícia.
            O senhor Gabriel Pedro Buffon, indo para a parte posterior de o veículo, tentou por todos os meios deslocá-lo, e, por mais que tentasse, ele nem se mexeu.
            Vermelho como um pimentão e resfolegando como Puro Sangue a o final de uma corrida de três mil metros, desistiu e foi até perto de a senhora Maria Madalena Domitila.
            – Min-ha For-ta-le-za Ce-les-ti-al, eu...não...pos-so...de...jei-to...nenhum!
            – Tem carro grande quem pode, senhor Gabi! Use o seu celular e chame um socorro mecânico, seu pamonha!
            – Muito bem pensado, ó minha Fortaleza Celeste! Não sei o que seria de mim se você não existisse!
            – Porventura o senhor está desejando que eu vá para a glória de o nosso senhor Jebukrma, hosana, é seu...
            – Minha Fortaleza Celeste, jamais, jamais em tempo algum, passar-me-ia pela mente um pensamento tão nefasto!
            – Ainda Bem! Anda logo e liga para chamar o socorro, seu pamonha!
            Enquanto este incidente ocorria, já de volta a o seu modesto apartamento em o subúrbio modesto, o senhor Carlos César Krilov e o seu amado amigo, senhor Alexandre Judas Alberto, conversavam sobre o que havia ocorrido.
            – Catito, que idéia infeliz tu tiveste! Que cacete! Até os cabelos me doem!
            – Xandoca, meu amor, e tu achas que também não estou todo moído não, é? Você ainda levou porretada em pé, entretanto, eu fui derrubado por três gorilas e chutado com coturnos por mais de seis orangotangos! Mesmo depois que a bestona de a Bárbara apaziguou os ânimos e eu me levantei, veio um troglodita, que eu acho era surdo, e, deu-me um pescoção que quase a minha cabeça voa longe.
            – Por isso que você não viu quando um chimpanzé deu-me uma mordida em a base de o meu pescoço e quase que tritura a minha clavícula, aquele vampiro!
            – Xandoca, mudando de assunto você acha que aquela história de oração foi o que fez a gente ter a idéia de se converter de mentirinha somente para meter a mão em a bufunfa de o futuro Presbítero, achas?
            – Que história é essa, Catito? Você agora deu pra acreditar em deuses antropomórficos de seitas criadas para espoliar os incautos, foi?
            – Claro que não, meu amor, mas que foi muita coincidência lá isso foi. Mudando de assunto outra vez: Você viu aquele carro que cruzou com o de o lalau de o Presbítero senhor Leandro Leonardo Jefté, enquanto o motorista dele nos trazia até aqui, viu? Acho que reconheci a cascavel de a senhora dona Maria Madalena Domitila.
            – Não vi foi nada! E vamos dormir que eu quero ver se essas dores passam, ou melhor, dormindo eu não sinto, pois as sessenta gotas de dipirona que tomei já estão fazendo efeito.
            – É vamos mesmo! Você somente tomou sessenta gotas e eu tomei foi mais de meio vidrinho, e as dores estão começando a aliviar agora.

Sacro VIII


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, não acheis estranho estes acontecimentos até agora por mim relatados, pois os primeiros Jebukrmas, por não ainda serem transcendentalizados por profunda renúncia aos sentimentos negativos, sofriam os rigores de uma existência comum, e, além de o mais, os relatos sagrados sempre são eivados de complicações, violências, traições e toda a sorte de peripécias, mas voltemos a o momento de a chegada, depois de ser solucionado o problema de o pneu de o senhor Gabriel Pedro Buffon, ou melhor, de o Santana, até a mansão de o Presbítero, senhor Leandro Leonardo Jefté e de a senhora Cíntia Jesabel Patrícia.
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            – Ó que surpresa agradável! Receber em minha humilde choupana um par tão feliz e unido. É sempre um prazer extasiante! E por falar em surpresas, hoje foi um dia dedicado a elas. Primeiramente a minha querida senhora Cíntia Jesabel Patrícia e a sua querida e prendada filha, senhorita Bárbara Ester Cybele receberam uma visita um tanto quanto estrambótica, a princípio, mas que a o final, transformou-se, diante de os nossos olhos extasiados, em um verdadeiro milagre realizado por o nosso senhor Jebukrma, hosana, toda glória Lhe seja dado.
            – Ó minha querida amiga, Protetora Maria Madalena Domitila e respeitável senhor Diácono Gabriel Pedro Buffon, posteriormente eu relatar-vos-ei o flagelo, ou melhor, o pequeno incidente que culminou com a conversão, a nossa santa, verdadeira e única Seita, aleluia, e o dom de a salvação, hosana, concedido por o nosso senhor Jebukrma, toda glória, a o senhor Carlos César Krilov e a o seu lindo e inseparável amigo e jovem adolescente, senhor Alexandre Judas Alberto, os quais transcendentalizados, aleluia, por o nosso único senhor Jebukrma, hosana, provavelmente estarão pensando os machucados de as porretadas, pontapés e pescoções, ou melhor, certamente estarão em seus leitos, dormindo como anjos, aleluia, e tendo sonhos e visões com os transcendentais aposentos palacianos, aleluia, e aconchegados em os braços protetores, aleluia, aleluia, aleluia, de o nosso senhor Jebukrma, hosana, toda glória!
            – Ó minha querida amiga, Protetora senhora Cíntia Jesabel Patrícia, que surpresa transcendental ser informada, por tão amada amiga, que finalmente o nosso senhor Jebukrma, hosana, tocou o coração empedernido de aquele agora, ex-líder carismático e ex-adorador de imagens, senhor Carlos César Krilov, e seu fiel amigo, o lindo adolescente, segundo a Protetora e amiga, senhora Cíntia Jesabel Patrícia, senhor Alexandre Judas Alberto, aleluia!
            – Senhora Protetora, Maria Madalena Domitila, acho eu, como Presbítero, que a partir de agora nada haverá que possa impedir a união de o amado senhor Carlos César Krilov, sem o seu inseparável amigo, o adolescente Alexandre Judas Alberto, é claro, com a sua prendada filha, senhorita Bárbara Ester Cybele, pois esta união já foi por meu intermédio por o senhor Jebukrma, hosana, abençoada. O único impedimento que porventura poderia existir seria a sua condição financeira, mas pode ficar tranqüila, ó amada Protetora, senhora Maria Madalena Domitila que logo o senhor Carlos César Krilov será o mais novo Diácono em nossa santa e verdadeira Seita, aleluia! E informo a todos os presentes, que foi uma exigência de o nosso senhor Jebukrma, hosana, que me instruiu para assim fazê-lo imediatamente após o senhor Carlos César Krilov ter-se retirado de nossa presença, antes de sua presença, ó amada Protetora, senhora dona Maria Madalena Domitila.
            Depois de ter feito esta solene comunicação, o Presbítero, senhor Leandro Leonardo Jefté e o Diácono, senhor Gabriel Pedro Buffon, pedindo licença, se dirigiram para a biblioteca, somente voltando depois de um tempão.
            O senhor Gabriel Pedro Buffon, a senhora Maria Madalena Domitila e a senhorita Bárbara Ester Cybele despediram-se de o senhor Leandro Leonardo Jefté e de a senhora Cíntia Jesabel Patrícia e retornaram para sua casa.
            Já em casa, o Diácono, senhor Gabriel Pedro Buffon foi para a biblioteca e a senhorita Bárbara Ester Cybele e a Protetora, senhora Maria Madalena Domitila, e a pedido desta, foram até o quarto de a primeira para, segundo a segunda, terem uma conversa de mulher para mulher.

Sacro VIIII


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecúnia

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, os santos e incompreensíveis desígnios são aparentemente impossível de serem entendido, mas pra tudo há um propósito divino.
            Tomeis como exemplo o aparentemente incompreensível caso de o Sansão: Quando foi obrigado a pagar uma aposta que fizera e perdera, envolvendo trinta mudas de roupas, mas, não tinha como pagá-la. Orou a o seu Senhor e este lhe deu uma força descomunal, que se apossando de ele, ajudou-o a matar uma porrada de Filisteus, ou melhor, apenas trinta, e tomando-lhes de as roupas, com as quais a pagou.
            Podem pensar os não transcendentalizados, meus amados Jebukrmas, que Sansão cometeu um latrocínio, mas não, apenas foi feita a justiça de acordo com o seu Senhor, mesmo que não tenhais a mínima idéia de o por quê de tal atitude de ambos.
            Mas, voltemos para a alcova de a senhorita Bárbara Ester Cybele em companhia de a Protetora, senhora Maria Madalena Domitila, que de mulher para mulher iriam trocar experiências e traçar planos para o futuro de ambas.
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            – Ô Cybele, sua peste, quem você pensa que é pra se meter a besta e juntamente com aquela catraia de a Patrícia ficarem de arranjo. Vocês podem tapear o babaca de o Gabi, aquele pamonha, e o lalau de o Leonardo, mas a mim não.
            – E você vá baixando a pancada, sua Madalena! Quem pensa que é pra me dar conselhos ou fazer exigências? Era só o que me faltava! Puxe de o meu quarto!
            – Calma minha filha, eu somente estou preocupada com o teu futuro!
            – Que futuro, que nada! Você está é preocupada com o teu isso sim! Pensa que eu não sei que você, senhora Maria Madalena Domitila, que já deu muitos prazeres por aí, e aquele seu comparsa, o perfeito senhor Gabi, o pamonha, como você acertadamente o trata, querem é me vender para o Bispo de a Universal, para tirar as despesas com a minha criação, não, é? E lhe digo mais: acaba com esta história de me chamar de filha! E pensa que também não sei que mesmo desse jeito como você está, cansada de guerra, ainda não anda dando prazeres para o Bispo, aquele velho caquético!
            – Momento! Momento! Cansada de guerra é a..., Minha filha, eu ainda continuo te dizendo que estou muito preocupada com teu futuro, pois tu podes ficar com seu amado Carlos César Krilov, e o Bispo caquético, entendeu, ó minha filha?
            – Como é minha mãe! Com os dois a um só tempo?
            – Evidente que sim, ó Bárbara Ester Cybele, com os dois. Nós sempre fizemos assim. Um para amar e outro pra nos sustentar! Deixa de ser tolinha e vamos conversar de mulher para mulher, pois eu sei de tudo, ó minha filha. Sei até que você e o seu amado senhor Carlos César Krilov ficam em pecado de a carne seis vezes por semana. Se acalme e vamos conversar. Temos muita coisa a dizer uma para a outra, mas com calma... Bastante calma. Violência não adianta! Não vê o caso de os Palestinos e Israelitas: Tanta violência! Resolveu alguma coisa?
            – É! Realmente! Verdade e jogo aberto é bem melhor. Perdoe-me as palavras grosseiras de início. Mas a senhora sabe: Falsidade não é comigo! E além de o mais eu já não aguentava mais a pressão de a senhora com respeito a o meu atual e único amor de a minha vida, o senhor Carlos César Krilov.
            – Minha filha, senhorita Bárbara Ester Cybele, eu pressiono porque infelizmente ele é pobre e somente tem para te oferecer o amor, e, amor não enche barriga, ou melhor, enche, e como enche! Mas apenas durante nove meses, sacou? E por estarmos em verdade e jogo aberto, eu vou te dizer quem é teu verdadeiro pai.
            – Mãe! Minha mãe, a senhora sabe quem é meu pai?
            – Calma, minha filha, sei e dir-te-ei agora. Lembras de quando você tinha uns nove anos, de aquele caixeiro-viajante que pernoitava, de vez quando, lá em casa, em o sertão de o Pajeú, e que você nos viu em pecado de a carne, por traz de a moita de o pé de Braúna, perto de a cacimba, lembra? Não diga que não porque eu vi você espiando. Pois ele, o Senhor lá dele o tenha em bom lugar, era teu pai!
            – Oh! Ó minha amada mãe, senhora Maria Madalena Domitila, não me diga uma desgraça de esta!
            – Já disse, ó minha filha, senhorita Bárbara Cybele.
            – Oh! Ó minha amada mãe, senhora Maria Madalena Domitila, diga-me que nada disso é verdade! Que tudo é apenas um pesadelo! Que eu estou apenas sonhando, ó minha querida e amada mãe, senhora Maria Madalena Domitila!
            – Não se aflija tanto, ó minha amada filha, senhorita Bárbara Ester Cybele, para que tanto drama, tanta tragédia? O que já passou já passou. Você viveu até agora sem saber, e, além de o mais vou te confessar uma coisa: O sangue que corre nas tuas veias, também corre nas minhas.
            – Valei-me meu nosso senhor Jebukrma, hosana, não vá me dizer que a senhora, dona Maria Madalena Domitila é minha mãe!
            – Mãe, não, tia. Pois você é filha de minha irmã caçula, a Sara Rute Sunamita, e, que ela esteja lá em o paraíso, lá dela.
            – Qual? Aquela que era baeta e andava mais de três léguas de ida e três de volta para assistir missa e comungar três vezes por semana?
            – Correto, ó minha amada filha e sobrinha, senhorita Bárbara Ester Cybele, aquela mesma!
            – Oh! Oh! Ó minha amada mãe e tia, senhora Protetora Maria Madalena Domitila, quanta tragédia, quanta tragédia! Que o meu nosso senhor Jebukrma, hosana, perdoe-me, aleluia!
            – Ó minha amada filha/sobrinha senhorita Bárbara Ester Cybele, por que tanto desespero por uma coisa que é tão normal? Milhares e milhares de crianças são abandonados pelos pais e criadas, e, diga-se de passagem, em o seu caso, muitíssimo bem criada, por outros pais. Não vejo nada de tão trágico em isso.
            – Oh! Ah! Ó minha amada mãe/tia senhora dona Maria Madalena Domitila, tenho um segredo tão terrível para confessar que, em apenas pensar, eu já me sinto a mais infeliz de todas as mulheres!
            – Ó minha adorável sobrinha/filha senhorita Bárbara Ester Cybele, por mais terrível que ele seja, pense em a verdade, e, lembre-se que meu coração que já muito amou, e aponha muito amou em isso, e já tendo passado por dolorosas decepções, hoje profundamente experimentado, e como, está a o seu inteiro dispor, para ajudá-la a resolver o seu mais difícil problema, como diria o radialista Sousa de Andrade. Conte-me seu segredo e eu ajudá-la-ei! Abra o seu coração e conte-me que oraremos a o nosso senhor Jebukrma, hosana, e Ele a perdoará.
            – Oh! Ah! Oh! É por demais terrível, não posso abri-lo!
            – Pode, ó minha amada filha, abra-o!
            – Não abro!
            – Abra, minha amada!
            – Não abro!
            – Abra, sua...
            – Certo! Abri-lo-ei. O meu terrível segredo, guardado a seis chaves, é que: Com mais ou menos nove anos, atrás de aquela mesma moita de o pé de Braúna, perto de aquela mesma cacimba e com aquele mesmo caixeiro-viajante se foi minha virgindade!
            – Jesus, Buda, Krsna, Maomé, axé!

Sacro X


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, não fiqueis estupefatos com o relato que faço, pois desde tempos imemoriais que isto acontece. Apenas como exemplo lembro o caso da coabitação filial de o Ló.
            Antes de transcendentais serdes, ou melhor, antes de entenderdes o verdadeiro objetivo de o existir, vós vivíeis em a luz e a luz vos ofuscava. Ela faz com que apenas vejais as coisas em a sua aparência, mas que não percebais a sua verdadeira essência transcendental. Vistes isso quando a amada senhora Maria Madalena Domitila, estupefata com a revelação saúda outros deuses.
            Amados Jebukrmas, adiantar-vos-ei um pouco em o tempo. Quando depois de perfeitamente curados de a coça que levaram, o senhor, agora Diácono, Carlos César Krilov, unido com a agora Protetora, senhora Bárbara Ester Cybele, entretanto, sempre acompanhado de o seu inseparável amado amigo, senhor Alexandre Judas Alberto, que exercia a função provisória de seu secretário particular, todos luxuosamente bem instalados em um luxuoso apartamento em edifício luxuoso de um bairro luxuoso.
            Certa noite, depois de um lauto jantar, o que era comum para eles. Depois de a governanta ordenar a copeira que lhes servissem, em fina baixela de porcelana chinesa, o café, importado de um país longínquo, que finalmente seguia os sábios conselhos de certo escrivão que escrevera uma carta a o seu rei, pedido que interviesse em favor de um seu parente seqüestrador, e que em a referida carta informara a este seu rei de o certo achamento duvidoso, por parte de o comandante de a frota que se destinava a espoliar um certo país onde as especiarias abundavam, e que em a referida carta sugerira o certo escrivão que: A terra é muito boa e em ela se plantando tudo dá. Finalmente em o terceiro milênio após este tal achamento duvidoso, resolveram os descendentes de os nativos e mais os descendentes de a corja que os colonizara, e, houveram por bem se dedicar para a lavoura e hoje, além de produzirem soja para alimentar todos os porcos de o resto de o planeta, mesmo tendo estes, referidos anteriormente, nativos, dizimado toda a Flora e toda a Fauna, eles produzem o melhor café que existe, café este que foi servido, por uma serviçal, por ordem de a copeira que havia recebido autorização de a governanta, a o Diácono, senhor Carlos César Krilov, para a Protetora, a amada senhora Bárbara Ester Cybele e a o senhor Alexandre Judas Alberto, amado e fiel secretário particular de o senhor Carlos César Krilov e que agora descontraidamente se encontravam conversando, depois de os serviçais os haver deixado.
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            – Xandoca, eu, Protetora e senhora Bárbara Ester Cybele unida a o senhor, meu amado Carlos César Krilov, com as bênçãos de o nosso senhor Jebukrma, hozana, acho que chegou a hora de nos unirmos mais, evitando assim que nosso amado, senhor contraia um resfriado, que poderá evoluir para uma gripe e esta para uma pneumonia, em as suas constantes idas e vindas a o seu quarto, e, além de o mais, como temos o hábito transcendental, muito saudável por sinal, de dormirmos nus, pois a nudez é a pureza primordial, o que aumenta mais o risco de o nosso amado senhor Carlos César Krilov contrair o já referido resfriado, e você passar a partilhar de o nosso leito, que por sinal é enorme. Estou comunicando-lhe esta decisão minha, exclusivamente minha, e espero que o nosso amado, senhor Carlos César Krilov não se oponha.
            – Jamais teria a pretensão de contrariá-la, ó minha amada senhora Bárbara Ester Cybele, principalmente depois de o falecimento de o Bispo de a Universal, com o qual coabitou em pecado de a carne por três longos meses, para satisfazer os desejos de sua amada mãe, nossa bem amada senhora Maria Madalena Domitila. Jamais! Jamais! Jamais.
            – Muito bem! Somente faço uma exigência: Continuaremos a dormir nus, em pureza transcendental, e, eu ficarei em o centro de o nosso leito, assim poderei, por transcendental contato de corpos, ser aquecida por ambos.

Sacro XI


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, os desígnios divinos são insondáveis e, antes que vos escandalizeis com a leitura de estes textos sagrados, encontrado por mim, em uma de as minhas últimas pesquisas arqueológicas quando retorno em o tempo, atenteis para a lição de desprendimento e transcendência de uma de vossas primordiais e amadas Hexavira, em os primórdios de a formação, e, hodiernamente Sagrada Seita, o Jebukrmanismo. Além de o desprendimento e transcendência, atenteis para o zelo e preocupação como bem-estar físico de o seu amado Carlos César Krilov e a praticidade que demonstrou em estando os três nus em uma cama, poderem aquecer-se mutuamente.
            Também, Jebukrmas, atenteis para o sacrifício que fez a vossa primordial e amada Hexavirum, Bárbara Ester Cybele, sacrifício este lembrado por o vosso primordial e amado Hexavirum Carlos César Krilov, quando se referiu a estando ela unida a o seu amado Carlos César Krilov pelas sagradas leis de a vossa Sagrada Seita, concomitantemente estar unida e coabitar em pecado de a carne, com um descrente Bispo de outra Seita, sacrificando-se desta arte, para atender um pedido e por amor verdadeiramente filial, mesmo que não fosse filha, mas sobrinha, de a Protetora senhora Maria Madalena Domitila, que lhe houvera feito o tal pedido.
            Aprendizes, ainda atenteis para um detalhe: A preocupação com o bem-estar físico de o vosso primordial e amado Hexavirum Carlos César Krilov, o que vem comprovar que em os primórdios eles aceitavam a doença como fato corriqueiro, hodiernamente totalmente rejeitado por vós, Jebukrmas, por terem aprendido a o longo destes milênios que qualquer desconforto físico, moral ou financeiro, sinaliza que o vosso senhor Jebukrma está vos advertindo de um ato errado a o contrário de o que pensam, certas seitas equivocadas, de que pobreza, miséria e ignorância, exclusão social e outros desconfortos são atributos para que seus fieis atinjam seus paraísos.
            Quero aproveitar estas lições, para transmitir-vos, amados Jebukrmas, os ensinamentos contidos em as três palavras sagradas, que por sinal estão inseridas em o Triangulo Sagrado, aposto em o frontispício de cada Portal de cada Face de todos os vossos Hexaedros, e em Latim, a língua geradora que, inclusa, perfaz, o total de as doze línguas.
Salus
Laetitia   Pecúnia
            Laetitia, em lato sensus, significa: Alegria, Prazer, Abundância.
            Salus, em lato sensus, significa: Saúde, Salvação, Felicidade.
            Pecúnia, em lato sensus, significa: Riqueza, Bens materiais, Dinheiro.
            Atenteis, ó Jebukrmas: Tanto as primeiras letras (LSP), como a totalidade de as letras de as palavras sagradas, aplicada a redução teosófica, produzem o primordial número mestre, o sagrado Onze, irredutível, pois se reduzido, produzirá o dicotômico e imperfeito Dois.
            Atenteis, também, para os nove significados de as três palavras sagradas, que produzem somente vibrações positivas e transcendentais.
            Jebukrmas, portanto, a vossa Sagrada Seita, o Jebukrmaísmo, somente produz a elevação transcendental.
            Jebukrmas, tendo todos os vossos templos o formato de uma pirâmide de base hexagonal, o Sagrado Hexaedro, e, com as suas medidas sempre centradas em o número seis, vos transmitem a idéia esotérica de o serviço, pois para isto existíeis.
            A partir de o momento que deixardes de servir, nada mais vos restará a não ser o Caos.
            Amados Jebukrmas, as seis faces de o Sagrado Hexaedro, que é o vosso templo, cada uma delas é pintada seguindo o padrão de o Sagrado Arco-Íris, para simbolizar a pluralidade e a interdependência que há entre vós, mas, a o mesmo tempo, sois harmônicos entre vós, pois todos juntos sois apenas uma cor: Branca. Cor esta que representa a luz, luz esta que se faz necessária em este vosso mundo imperfeito de aparências, em virtude de, sem a qual, andaríeis trombando uns nos outros e em tudo o que vos estivesse em a frente. Somente transcendentalizados totalmente é que prescindireis da luz, pois entendereis a Sagrada Negritude da Sagrada cor Negra, a qual é a sagrada fonte geradora em si mesma e de si mesma. É o sagrado repouso do Perfeito Só.

Sacro XII


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, retorneis aos acontecimentos que culminaram com o sacrifício conjugal de a primordial Hexavirum, senhora Bárbara Ester Cybele, de o primordial Hexavirum, senhor Carlos César Krilov, como também, de o seu amigo inseparável, o senhor Alexandre Judas Alberto, pois em a viração de uma tarde, estavam os três conversando e pensando em o futuro, que não pertence a o vosso senhor Jebukrma, e sim a cada um de vós.
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            – Ó meu amado, senhor Diácono Carlos César Krilov, é certo que estamos unidos com as bênçãos de o nosso senhor Jebukrma, hozana, mas é bom que pensemos em nosso futuro, pois ele nos pertence, a nós, ó meu amado Diácono, senhor Carlos César Krilov, como também a o seu inseparável amigo, senhor Alexandre Judas Alberto, e não a o nosso senhor Jebukrma, toda a glória!
            – Momento, mocréia! Eu e o meu Catito já estamos montados em a bufunfa! De minha parte já está excelente, e o que eu quero de agora em diante e viver em o bem bom! E não se meta a besta com o meu bofe, mocréia.
            – Xandoca, pega leve! A minha amada Bárbara Ester Cybele sempre teve, tem e terá sempre e sempre razão. Vejamos o que a minha amada, senhora Bárbara Ester Cybele, tem nos sugerir.
            – Perfeito, ó meu amado Diácono, senhor Carlos César Krilov! E, antes que eu esqueça, senhor Alexandre Judas Alberto: Mocréia a boneca sabe quem é. Mas, voltando a o meu raciocínio, eu tenho pensado seriamente em o conselho de a minha sábia Protetora, senhora Maria Madalena Domitila, quando me falou de a disponibilidade, após sua viuvez, de o caquético Bispo de a Universal. Sou bonita e apetitosa como Absag de Sunam e o Bispo está tão caquético como estava o rei Davi, e tu, ó meu amado senhor, Carlos César Krilov, serás o rei Salomão, sacou? Uno-me ao Bispo e, ali sim: A bufunfa corre solta. Só de carro importado, sem contar com o Rolly Horse e a Limousine blindados, o caquético tem mais de doze. E para entrarmos em aquela incomensurável bufunfa, ó meu amado senhor Carlos César Krilov e senhor Alexandre Judas Alberto, inseparável amigo de o meu amado senhor Carlos César Krilov é facílimo: Permitirei que o Bispo entre em mim. Entro em a bufunfa e, depois de algum tempo, despacho o caquético. Ó meu amado Diácono, senhor Carlos César Krilov, não pense que este tipo de estratégia é novidade, muito por o contrário: Estou seguindo o exemplo de Abrão e Sara, e como ela, embarrigo, e depois dou um chega pra lá em a filha e herdeira de o Bispo caquético, a catraia de a Tereza Agar Raquel e entraremos em a bufunfa do Bispo.
            – Excelente, ó minha amada Bárbara Ester Cybele, excelente! Dentro em pouco nossa bufunfa certamente hexaplicará. Excelente! Que achas, amado Xandoca?
            – Perfeito! Sabe, Catito, a tua mocréia, ou melhor, a tua amada, senhora Bárbara Ester Cybele, até que tem razão! Excelente! E tem mais, por o menos por um tempo ela desgruda do teu pé. Alea jacta est!
            – Então, ó meu amado, senhor Carlos César Krilov, e sua inseparável boneca, senhor Alexandre Judas Alberto, unir-me-ei a o caquético Bispo e assim que arrumar um herdeiro idôneo que me assegure a bufunfa, eu despacho aquela múmia para lugar incerto e não sabido.

Sacro XIII


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, os desígnios divino são insondáveis e aparentemente incompreensíveis para os que não são Jebukrmas, mas, há sempre um propósito oculto.
            Quando a vossa amada primordial Hexavirum, senhora Bárbara Ester Cybele, comparando- se com a sunamita, lembrou o escabroso, ou melhor, supremo sacrifício de Sara e Abrão, a vossa amada primordial Hexavirum, senhora Bárbara Ester Cybele, demonstra profundo conhecimento de outros escritos, também sagrados, de outras seitas, que também se diziam sagradas e que agora, hodiernamente, comprovadamente não sagradas, pois, por não sagradas extinguiram-se.
            Jebukrmas, retornemos para a leitura e posterior exegese de o primordial, sagrado e original texto, que descobri, pois sou o Sagrado Arqueólogo e retorno constantemente a o passado, que deu origem a vossa Sagrada Seita, o Jebukrmaísmo.
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            Assim que se uniram, o Bispo caquético e a vossa primordial Hexavirum, senhora Bárbara Ester Cybele, imediatamente, e com o conhecimento do seu amado, senhor Carlos César Krilov, este seguindo de um certo modo o exemplo de Abrão, vossa primordial Hexavirum, senhora Bárbara Ester Cybele tomou urgentes providência para a vinda de o herdeiro, mas, tentando conceber descobriu que o caquético Bispo além de caquético não dava mais em o couro. Sem exasperar-se, a vossa amada primordial, senhora Bárbara Ester Cybele, ajudada pela melhor tecnologia em reprodução: Embarrigou. Como medida de precaução, exigiu que todo o processo fosse acompanhado por seis testemunhas, inclusa a filha de o caquético Bispo, que, posteriormente, por desígnios de Jebukrma, seria uma primordial Hexavirum, a adolescente senhorita Tereza Agar Raquel. Exigiu a Protetora, senhora Bárbara Éster Cybele, que escondera de o Bispo caquético e de sua filha adolescente, senhorita Tereza Agar Raquel, que todos assinassem seis vezes e mandassem reconhecer as assinaturas em seis cartórios diferentes e em seis capitais de diferentes países.
            Amados Jebukrmas, apenas se passaram três meses de a união, e o caquético Bispo de a Universal não agüentando as horárias tentativas durante os pecados de a carne, bateu a cacholeta, ou melhor, vestiu o pijama de madeira, por sinal de Jacarandá de a Bahia, Cedro de o Líbano e ornado com entalhes em Mogno; forrado com excelente e raríssima seda púrpura de a China e partiu, exaustivamente pranteado, com a ajuda de uma grande cebola, habilmente disfarçada por um belíssimo e caríssimo Lenço de Cetim Brocado importado especialmente para o festivo evento, de a Índia, e tido hodiernamente como uma de vossas mais sagradas relíquias, por sua filha, agora hexabilionária herdeira adolescente, senhorita Tereza Agar Raquel, que mais tarde se tornaria uma de as vossas primordiais Hexavirum, através de misteriosos desígnios de o vosso senhor Jebukrma, e seguiu, infelizmente, o espírito de o que era Bispo e caquético, para lugar incerto e não sabido, por não ser o referido caquético Bispo, fiel de a vossa iniciante, mas, Sagrada Seita, o Jebukrmaísmo.
            Jebukrmas, tendo passado doze meses de as litúrgicas exéquias festivas, e de o festival piedoso de três dias, em a viração de a tarde em o mesmo Sagrado Caramanchão, cercado de as mesmas plantas silvestres com nova florada, as mesmas roseiras cultivadas com novas rosas, as mesmas orquídeas, junto a o mesmo laguinho, meio a o imenso terreno que circundava a mansão, complexo sagrado, mantido até os dias de hoje, intacto, como o mais sagrado de os sagrados logradouros de peregrinação, estavam reunidos conversando, em aquela data imemorial e imprecisa, de três mil d.C., os até então, senhor Presbítero Leandro Leonardo Jefté, os Diáconos senhores Gabriel Pedro Buffon e Carlos César Krilov, acompanhado de seu inseparável amigo o lindo adolescente Alexandre Judas Alberto; as, até então, Protetoras, senhoras Maria Madalena Domitila e Cíntia Jesabel Patrícia, e senhora, Bárbara Ester Cybele, com sua filhinha, Sara Rute Sunamita, em homenagem póstuma a sua mãe, e a adolescente senhorita Tereza Agar Raquel, filha de o caquético e finado Bispo.
            – Momento grandioso para mim, Protetora Maria Madalena Domitila, e por que não, para nós, os fieis seguidores de a nossa Seita, é este! Reunidos estamos partilhando agradáveis momentos em companhia de o nosso amado Presbítero, senhor Leandro Leonardo Jefté, nossos amados Diáconos, senhor Gabriel Pedro Buffon e senhor Carlos César Krilov, sempre acompanhado de o seu inseparável lindo amigo adolescente, senhor Alexandre Judas Alberto; minha querida amiga Protetora Cíntia Jesabel Patrícia, minha querida e amada filha, senhora Bárbara Ester Cybele, com minha netinha queridinha, Sara Rute Sunamita, e, de agora em diante, tenho certeza, a presença, que será uma constância, de a amada adolescente, senhorita Tereza Agar Raquel.
            – Eu é que me sinto honrada e feliz por ter sido admitida em tão seleto grupo. Nunca pensei que vocês, fieis seguidores de uma outra Seita, sendo eu uma herdeira hexabilionária de um Bispo de outra Seita, me tratassem com tanta deferência e carinho. Estou me sentindo verdadeiramente amada, por todos vocês.
            – Minha amada adolescente senhorita Tereza Agar Raquel, aproveito a oportunidade, e, em meu nome, em nome de o meu amado Diácono, senhor Carlos César Krilov, e em nome de minha filhinha, sua irmãzinha, a infanta herdeira tribilionária Sara Rute Sunamita, tendo em vista a tua solidão, de única herdeira tribilionária, para convidar-te a vires residir em nossa companhia, pois recentemente, adquirimos uma mansão e reservamos uma luxuosa ala especialmente para acomodar-te. Espero que não recuses o convite, pois a tua irmãzinha já se tomou de amores por ti e berra e esperneia que nem uma bezerra desmamada, quando a o te visitarmos, e, em a volta, ela sente a ausência de a tua insubstituível presença.
            – Minha querida adolescente, tribilionária herdeira senhorita Tereza Agar Raquel, como Protetora, em nossa Seita, eu e meu amado Presbítero, senhor Leandro Leonardo Jefté te damos as boas vindas a o nosso meio, e, te asseguro com a pureza e opulência de meu espírito, que o convite que ora faz a minha amada amiga, senhora Bárbara Ester Cybele, e em nome de o amado Diácono, senhor Carlos César Krilov, nasce de corações imaculados que somente querem a tua felicidade. Ainda te asseguro que conheço a fabulosa mansão recentemente adquirida por nossos amados irmão e irmã em Jebukrma, hosana, o Diácono, senhor Carlos César Krilov e nossa amada, Senhora Bárbara Ester Cybele, para abrigá-los de as intempéries e proteger a tua irmãzinha, a infanta Sara Rute Sunamita, e ainda te asseguro, pois participamos de a escolha, que, somente se concretizou a aquisição, quando nos certificamos que a referida mansão teria espaço suficiente para acomodar-te dignamente, como mereces. Creio que partirias os nossos corações se pensasses em recusar. Concordas, lindo adolescente e amigo inseparável de o nosso amado Diácono, senhor Carlos César Krilov, senhor Alexandre Judas Alberto?
            – Como amigo e secretário particular de o meu amado Diácono, senhor Carlos César Krilov, e de a senhora Bárbara Ester Cybele somente tenho de concordar com decisão tão sábia.
            – Realmente o convite é irrecusável, entretanto há um entrevero: Sou herdeira, agora tribilionária, de uma Sagrada Seita diferente de a de os queridos amigos!
            – Como Diácono mais antigo posso te assegurar que não há a menor importância em este detalhe insignificante e pouquíssimo importante. Entretanto separados vocês serão apenas simples tribilionários, porém, unidos: Hexabilionários.
            – Realmente! Está aceito o convite, e mudar-me-ei o mais breve possível. Entretanto, terei de fazer uma rápida viagem a alguns países onde a minha também Sagrada Seita tem interesses financeiros, ou melhor, evangélicos e pastorais, e pediria a amada Protetora, Senhora Maria Madalena Domitila para providenciar a mudança, e ainda aproveitando o carinho com que estão me tratando pediria, se fosse possível, a fim de não viajar sozinha, pois ainda sou uma adolescente, embora já tenha atingido a maioridade, que o Diácono, senhor Gabriel Pedro Buffon me acompanhasse. De antemão informo a todos que ele será de imediato, contratado como meu conselheiro especial para assuntos financeiros e com um fabuloso pro labore.

Sacro XIIII


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, os divinos desígnios são insondáveis! Pode parecer a corações não transcendentalizados, verdadeiras aberrações o que acabastes de ouvir, entretanto, deveis sempre vos perguntar que lições vos foram dadas.
            Atenteis para a maneira gentil, e por que não angelical, de a vossa amada primordial Hexavirum, senhora Bárbara Ester Cybele dizer a ainda não, vossa amada primordial Hexavirum, adolescente Tereza Agar Raquel, que sua meia irmãzinha também era uma herdeira tribilionária.
            Atenteis, também, para a objetividade com que a vossa amada primordial Hexavirum, senhora Bárbara Ester Cybele, convidou a ainda não, vossa amada primordial Hexavirum, senhorita Tereza Agar Raquel, para que residissem todos juntos em a mansão recém adquirida.
            Amados Jebukrmas, atenteis, ainda, para a argumentação usada pela vossa amada primordial Hexavirum, Bárbara Ester Cybele, quando induziu a ainda não, vossa amada Hexavirum, adolescente Tereza Agar Raquel, a dar-lhe a confirmação positiva a o seu convite, quando com sapientíssima estratégia, usou a sua meia irmãzinha como atrativo.
            Finalmente, percebais a união de corações e almas entre os primordiais Hexavira, quando o ainda então Diácono e futuro vosso amado primordial Hexavirum, senhor Gabriel Pedro Buffon, objetivamente explicou que se houvesse recusa não haveria a possibilidade de potencializarem, adindo, as suas pequenas fortunas tribilionárias incipientes em uma razoável fortuna hexabilionária, que hodiernamente, vós, os Jebukrmas, seus descendentes, a tornaram incomensuráveis por pagardes mensalmente os vossos sagrados tributos acrescidos de generosas contribuições voluntárias tão imprescindíveis aos aliciamentos, ou melhor, aos sagrados serviços pastorais, e, por não seguirdes os exemplo de seitas outras, de aqueles tempos imemoriais, que possuíam o controle financeiro de continentes inteiros e deixaram que se lhes escapassem por entre as garras, digo, dedos, em virtude de subdivisões em denominações e mais denominações.
            Jebukrmas, dou-vos como exemplo a potência financeira que era uma seita de milhões e milhões de fieis, cujo nome se perdeu de os registros arqueológicos, debalde esforços sobredivinos de minha parte em resgatá-lo, que usava como base dogmática a pobreza, efeito de a ignorância. Entretanto seus líderes, por demonstrarem incompetência e desunião, eles deixaram que ela se pulverizasse através de reformas e contra-reformas e radicalismos e ordens seculares e fundamentalismos e outras tolices quejandas, pulverizando assim, o seu incomensurável patrimônio financeiro em milhares de pequenas seitas, hoje totalmente extintas.
            Amados Jebukrmas, vós percebestes quantas lições podeis tirar de um texto sagrado. Volteis para a leitura e exegese de mais um texto.

Sacro XV


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, observeis como os caminhos divinos são aparentemente tortuosos e como seus sagrados desígnios são insondáveis.
            Em a viração de a tarde, três anos após, espaço de tempo que ficou predeterminado como sendo o período em o qual sempre haverá o Concílio de o Sagrado Hexavirato, de o Bispo ter seguido para lugar incerto e não sabido, em o mesmo Sagrado Caramanchão, cercado de as mesmas plantas silvestres com nova florada, as mesmas roseiras cultivadas com novas rosas, outras orquídeas, junto a o mesmo laguinho, meio a o imenso terreno que circundava a mansão, estavam reunidos conversando, sobre um assunto deveras desconfortável e inusitado, os vossos amados primordiais Hexavira, que em aquela imprecisa data ainda não o eram, pois a partir deste acontecimento é que foi, por unanimidade, criado o Sagrado Hexavirato, os até então, vosso amado Presbítero, senhor Leandro Leonardo Jefté, os vossos amados Diáconos, amados senhores Gabriel Pedro Buffon e Carlos César Krilov; as vossas amadas Protetoras, senhora Cíntia Jesabel Patrícia e senhora Bárbara Ester Cybele, que fora ordenada Protetora, e a vossa amada senhorita Tereza Agar Raquel, a qual já se havia convertido a vossa Sagrada Seita, e conseqüentemente, arrebanhado todos seus fieis para a vossa Sagrada Seita, por única e verdadeira, e tornada extinta a seita equivocada a qual pertencera.
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            – É inacreditável! É inacreditável! É inacreditável, que aquele sofisticadíssimo sistema contra incêndio de aquele luxuosíssimo chalé, em aquele luxuosíssimo complexo moteleiro, em aquele luxuosíssimo bairro houvesse falhado, propiciando desta arte, aquele destruidor incêndio, o qual reduziu a cinzas tudo e a todos os seus assíduos freqüentadores, e que a nossa amada Protetora, senhora Maria Madalena Domitila, juntamente com o nosso amado, senhor Alexandre Judas Alberto, secretário particular e inseparável amigo inseparável, que em aquele exato momento, e somente em aquele exato momento, estava separado de o nosso amado Diácono, senhor Carlos César Krilov, estivessem em aquele exato momento ocupando, para pecados de a carne, justamente aquele luxuosíssimo chalé de número seiscentos e sessenta seis, perecessem e tivessem se transformado em cinzas, sem a menor possibilidade de serem posteriormente identificados seus corpos, tendo sido apenas nos fornecido registros que comprovam, indubitavelmente suas presenças, e isto, graças a o rigoroso e perfeito controle de os freqüentadores que a nossa Seita, mantém, não somente em estes, como também em todos os outros complexos prazerosos, destinados, por nós os fieis seguidores de a Seita, aos necessário e sagrados pecados de a carne.
            – Realmente! Realmente! Realmente, ó nosso amado Presbítero, é inacreditável. Aproveito, eu, Diácono Carlos César Krilov, profundamente consternado pelas inusitadas e dolorosas perdas de a nossa amada Protetora, senhora Maria Madalena Domitila e de o nosso amado, meu secretário particular e inseparável amigo, que também vitimado por o terrível acontecimento, finalmente de mim se desgrudou, ou melhor, se separou, proponho que a partir de este acontecimento desconfortável não mais exista entre nós, os seguidores de a Seita, pares fixos para os pecados de a carne, a exemplo de uma milenar seita indiana totalmente extinta, a qual antes de nós, atingindo o transcendentalismo, assim o fez; e que todos sejam de todos, o que também, e isso é importantíssimo, proporcionará a indivisibilidade de o nosso incomensurável patrimônio, em o caso de haver, o que acho pouco provável, alguma dissidência, contudo: Seguro morreu de velho, mas desconfiado ainda é vivo! Proponho que a nossa amada senhorita, tratamento dispensado as fêmeas que ainda não procriaram, mas que por questões de etiqueta é falsamente usado, Tereza Agar Raquel seja ordenada Protetora. Ainda proponho que o número seiscentos e sessenta e seis seja tornado sagrado em nossa Seita, em memória de o nosso amado e meu lindo secretário particular, adolescente Alexandre Judas Alberto e nossa amada Protetora, senhora Maria Madalena Domitila.
            – Excelente! Excelente! Excelente, ó nosso amado Diácono, senhor Carlos César Krilov, eu, Protetora Cíntia Jesabel Patrícia, acho as três proposições excelentes e muitíssimas apropriadas para a nossa cada vez maior união.
            – Perfeito! Perfeito! Perfeito! Eu, senhora, em vez do falso senhorita,Tereza Agar Raquel, a mais nova Protetora, além de concordar in totum, com as proposições de o nosso amado Diácono, senhor Carlos César Krilov, proponho que, como somos em seis, criemos um Sagrado Hexavitato, conseqüentemente seremos nomeados, cada um de per se, por Sagrado Hexavirum, para comandar a nossa Sagrada Seita, aleluia; que a nossa Sagrada Seita, aleluia, unindo os mais atuantes deuses, receba o nome de Jebukrmaísmo, aleluia, tendo em vista o nosso único e verdadeiro senhor Jebukrma, hosana, sendo a partir deste momento, sempre, por nos, tratado por Senhor e Salvador Jebukrma, toda a glória, portanto, nós, seus fieis seguidores, seremos Jebukrmas, ad seculum seculorum, aleluia, hosana, toda a gloria; e, complementando, que os prazeres provenientes de os pecados de a carne, possam ser realizados entre todos, independentemente de sexo ou raças,e, simultaneamente.
            – Excelente! Excelente! Excelente! Eu, Presbítero Leandro Leonardo Jefté, proponho que estas seis proposições sejam votadas com voto em aberto, para evitar fraudes eletrônicas, e que o amado Diácono, senhor Gabriel Pedro Buffon seja o escrutinador.
            – Aceito ser o escrutinador e o meu voto é sim. E como vota o nosso amado Presbítero, senhor Leandro Leonardo Jefté?
            – Sim!
            – Como vota a nossa amada Protetora, senhora Cíntia Jesabel Patrícia?
            – Sim!
            – Como vota a nossa amada Protetora, senhora Bárbara Éster Cybele?
            – Sim!
            – Como vota a nossa amada recém Protetora, senhora Tereza Agar Raquel?
            – Sim!!!
            – Como vota o nosso amado Diácono, senhor Carlos César Krilov?
            – Sim.
            – Eu, Sagrada Hexavirum, Cíntia Jesabel Patrícia, declaro aprovadas as seis proposições e dou por encerrado o I Sagrado Concílio de o I Sagrado Hexavirato. Vamos nos regozijar, ó Hexavira, com prazerosos pecados de a carne!

Sacro XVI


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, os insondáveis desígnios divinos são aparentemente incompreensíveis para os não transcendentalizados.
            Ouvistes, vós os Jebukrmas, o relato sagrado de o surgimento de a vossa Sagrada Seita, o Jebukrmaísmo, a formação de o vosso I Sagrado Hexavirato, e as decisões tomadas em o I Sagrado Concílio, sob a égide divina de o Senhor e Salvador Jebukrma.
            Amados Jebukrmas, a os transcendentalizados como vós, tudo é permitido, pois sabeis vós que há tempo para tudo. Tudo vos convém, pois como transcendentalizados vós entendestes que qualquer desconforto é sinal de imperfeição, pois somente os imperfeitos, e, somente os imperfeitos provam o desconforto de o maior de os desconfortos: Pobreza. E nela está a causa de a Doença e de a Tristeza.
            Amados Jebukrmas, somente a vossa Sagrada Seita, e somente a vossa Sagrada Seita, o Jebukrmaísmo, vos dá a certeza de a Riqueza, de a Saúde e de a Alegria. Nada, nada, nada além de estas bênçãos poderá advir para vós, amados Jebukrmas transcendentalizados.
            Amados Jebukrmas, nove anos se passaram. Em a viração de a tarde, o Sagrado Momento, em o mesmo Sagrado Caramanchão, cercado de as mesmas plantas silvestres com nova florada, as mesmas roseiras cultivadas com novas rosas, novas orquídeas, junto a o mesmo laguinho, meio a o imenso terreno que circundava, agora não apenas uma, mas três esplendorosas mansões, eqüidistantes de o Sagrado Caramanchão, o I Sagrado Hexavirato, estava reunido em o III Sagrado Concílio, estando presentes os seis Sagrados Hexavira: Primordial Sagrado Hexavirum, Leandro Leonardo Jefté, Primordial Sagrada Hexavirum Cíntia Jesabel Patrícia, Primordial Sagrado Hexavirum Carlos Césas Krilov, Primordial Sagrada Hexavirum Bárbara Éster Cybele, Primordial Sagrado Hexavirum Gabriel Pedro Buffon, Primordial Sagrada Hexavirum Tereza Agar Raquel, e, não mais como irmãos ou amigos, não. A união era tão simbiótica que dir-se-ia uma Sagrada Hexunidade, e, sob os eflúvios divinais de o Senhor e Salvador Jebukrma, esta Sagrada Hexunidade, deliberava.
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            – Eu, Sagrada Hexavirum Tereza Agar Raquel, proponho que em lugar de cobrarmos de os três bilhões, trezentos e trinta e três milhões, trezentos e trinta mil, trezentos e trinta e três fervorosos e fidedignos fieis a décima parte obrigatória de tudo o que produzem, que, a partir de agora cobremos a sexta parte, e, que a denominemos de: Hexismo. Que acham Sagrada Quadrilha, ou melhor, Sagrados Hexavira?
            – Eu, Sagrada Hexavirum Cíntia Jesabel Patrícia, imbuída de os mais altos e transcendentais sentimentos proponho que substituamos o desconfortável nome pecados de a carne por prazeres imprescindíveis de o corpo. Que acham, Sagrado Bacanal, digo, Sagrados Hexavira?
            – Eu, Sagrada Hexavirum Bárbara Éster Cybele, proponho que não mais passemos pelos nove desconfortáveis meses de gravidez, o que dificulta sobremaneira algumas posições em a hora de os entretantos, e, que tomemos, a exemplo de Sara com Agar, ventres que gerem os nossos filhos, o que nos dará muito mais tempo livre para, os de agora em diante, tenho certeza, prazeres imprescindíveis de o corpo. Que acham, Sagrados Insaciáveis, ou melhor, Sagrada Hexavira?
            – Eu, Sagrado Hexavirum Gabriel Pedro Buffon, sendo desta feita Sagrado Escrutinador, voto por sim e pergunto como vota o Sagrado Hexavirum, o amado senhor Leandro Leonardo Jefté?
            – Sim!
            – Como vota o Sagrado Hexavirum, o amado senhor Carlos César Krilov?
            – Sim!
            – Como vota a Sagrada Hexavirum, a amada senhora Bárbara Éster Cybele?
            – Sim!!
            – Como vota a Sagrada Hexavirum, a amada senhora Tereza Agar Raquel?
            – Sim!!
            – Como vota a Sagrada Hexavirum, a amada senhora Cíntia Jesabel Patrícia?
            – Sim!!!
            Eu, Sagrado Hexavirum Gabriel Pedro Buffon, em a qualidade de Sagrado Escrutinador, e em nome de todos os Sagrados Hexavira, de este Sagrado Hexavirato, dou por aprovadas as três sagradas proposições, e dou por encerrado este III Sagrado Concílio. Conclamo a todos os Hexavira a nos regozijarmos em os imprescindíveis prazeres de o corpo.



Sacro XVII


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, somente espíritos e corpos perfeitamente transcedentalizados podem apreender os divinos ensinamentos deste sagrado texto que vos acabei de expor. Estais percebendo a perfeita simbiose que existia em o primordial Sagrado Hexavirato.
            Com estas últimas três sagradas deliberações aprovadas em o III Sagrado Concílio foi dado o arremate para a perfeita transcendência.
            Não mais a ultrapassada Mens sana in corpore sano, e, sim a transendental: Spiritus liber in corpore liber!
            Amados Jebukrmas, a vossa Sagrada Seita, o Jebukrmaísmo, peremptoriamente, deixa bem claro que não deveis, nunca jamais em tempo algum, dissociar os imprescindíveis prazeres de o corpo aos de o espírito, pois ambos são faces de a mesma moeda, e moeda cunhada em o mais puríssimo e transcendental Ouro, cravejada com o mais reluzente Brilhante.
            Amados Jebukrmas, vos afirmo com a onipotência de o meu sagrado espírito: Nada de pobreza, ou de doença, ou de tristeza, como também nada de negativismo ou de renúncia ou de sacrifício, pois são desconfortos próprio de os não transcendentalizados, por não entenderem os sagrados ideais de a vossa Sagrada Seita, e que, certamente, depois de passarem de esta para a pior, e não melhor, isto é, depois baterem a cacholeta, eles, os infiéis, irão para lugar incerto e não sabido, vos garanto.
            Amados Jebukrmas, este Sacro XVII que vos exponho, traz como sabeis, relatos da aparência física de cada um de os três milhões de Sagrados Hexaedros, vosso Sagrado Templo, os quais representam a Sagrada Morada Celestial onde não há o pecado, e espalhados por toda a superfície de este ínfimo planeta.
            Cada um de eles, vós bem sabeis, têm uma única Sagrada Coluna, que emergindo de o Sagrado Centro, de o Sagrado Praticável Hexagonal, onde, bem sabeis, os seis Sagrados Presbíteros, independente de raça, sexo ou cor, concomitantemente, divulgam os Sagrados Preceitos.
            Amados Jebukrmas, cada um em um lado de o Sagrado Praticável Hexagonal, como bem sabeis, e cada um vestindo apenas um Sagrado Manto de o mais diáfano Sagrado Tule, tecido com os mais finos fios de a mais pura Sagrada Seda, tingido em uma única translúcida cor, de as cores de o Sagrado Arco-Íris.
            Ajudados para este mister por seis Sagrados Diáconos e seis Sagradas Protetoras, como bem sabeis, que para o vosso deleite transcendental, circulam entre vós sem qualquer espécie de veste ou algo que cubram os seus corpos esculturais, pois a nudez representa a pureza transcendental, aliciam, ou melhor, convertem fieis para a vossa crescente Sagrada Seita.
            Esta Sagrada Coluna, de base hexagonal, como bem sabeis, é pintada em o Sagrado Negro. Que não sendo cor e sim a total ausência de elas, vos aponta o único Sagrado Caminho: O Sagrado Palácio de o Senhor Salvador Jebukrma.
            Amados Jebukrmas, bem sabeis, que cada externa Sagrada Face, de o Sagrado Hexaedro é pintada com uma de as Sagradas Cores de o Sagrado Arco-Íris.
            Internamente o Sagrado Hexaedro, vosso Sagrado Templo, é totalmente ornamentado com o mais puríssimo Ouro e o mais reluzente e translúcido Brilhante.
            Bem sabeis que em cada Sagrada Face de o Sagrado Hexaedro há um portal que sempre e sempre e sempre estará aberto deixando ver seu esplendoroso interior iluminado por estroboscópica Sagrada Luz Negra.
            Bem sabeis que todo o piso é composto por Sagradas Lajes triangulares em mármore de Carrara e Diamante.
            Bem sabeis, que todo o mobiliário é de o mais caro e raro material que existe.
            Amados Jebukrmas, bem sabeis que iluminado por luz Negra, o vosso Sagrado Templo é o lugar perfeito para encontrares todos os prazeres imprescindíveis a o vosso transcendental corpo e a o vosso transcendental espírito.
            Amados Fieis, bem sabeis, que o terreno que circunda o vosso Sagrado Hexaedro deverá ter a forma hexagonal, com obrigatoriamente seis hectares, deverá ser murado com muro em Mármore de Carrara com espessura de setenta e dois centímetros, deverá ser a sua altura de seis metros, deverá acima de cada um de seus seis portões de seis metro de largura por três de altura, ter uma placa em Ouro, e em ela grafado: Templum Reconciliator Universa Sancti Transcenderunt.
            Amados Jebukrmas, se um não transendentalizado ainda infiel, por qualquer motivo, escandalizado, vos abordar, indagando-vos de o por quê de tanta ostentação e opulência, simplesmente respondais: O nosso Senhor e Salvador Jebukrma nos quer alegres e saudáveis e ricos, porque Ele, e somente Ele é: Alegria, Saúde, Riqueza.

Sacro XVIII


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, dezoito anos se passaram, após ser criado o primordial I Sagrado Hexavirato, e, em o VI Concílio de o I Hexavirato, finalmente as Sagradas Hexavira, senhoras Cíntia Jesabel Patrícia, Bárbara Ester Cybele e Tereza Agar Raquel; os Sagrados Hexavira, senhores Leandro Leonardo Jefté, Gabriel Pedro Buffon e Carlos César Krilov, em perfeita união, ou melhor, em simbiose transcendental iniciaram a construção de o primeiro Sagrado Templo dedicado a o Senhor e Salvador Jebukrma.
            O Sagrado Número Seis estava presente em tudo por tratar-se de um número harmônico, senão vejamos: I           – Ele é a um só tempo a soma e o produto de os números criadores 6=(1+2+3) e 6=(1x2x3);
            II         – Ele a o quadrado é igual a soma de os números criadores a o cubo (6x6)=(1x1x1)+(2x2x2)+(3x3x3);
            III        – Ele é o selo de Salomão (ì) que une yang (pq) e ying (qp), os sagrados princípios;
            IV        – A primeira palavra de o Gênesis e a primeira palavra de o Evangelho de João é תישארב (Bereschit =criador de o hexade), têm seis letras que esotericamente significa o princípio criador; e a raiz de a palavra latina sexus (sexo) coincide com a palavra latina sex (seis);
            V         – A sexta Sephira é Tipheret (harmonia) e esotéricamente é הוהי, a palavra sagrada que somente pode ser pronunciada uma vez dentro de o espaço de trezentos e sessenta dias;
            VI        – Em o sexto dia de a criação é criado o homem. São especificados os alimentos com os quais todos os pertencentes de a última espécie de animais criadas em o sexto dia de a criação, podem se alimentar.

            Compreendido o valor de o número seis, os primordiais Sagrados Hexavira cada um de per se, instruíram os seiscentos e sessenta e seis Construtores Sagrados para a construção de o Templo a Jebukrma, a saber:

Hexavirum
por meta definida
O seis será usado     vejam com o coração
a obra é pomposa     será harmoniosa.
e toda a construção
Hexavirum
perfeitas hão de ser
As faces de o hexaedro    isósceles seis triângulos
e em metros marcados   setenta e dois, em os lados.
trinta e seis, em a base
Hexavirum
usado por Presbíteros
O interno praticável    ficará bem em o centro
em hexágono definido    com escala conferidos.
os lados com seis metros
Hexavirum
sustem a construção
A coluna central      com base hexagonal
servirá de esteio     sessenta e seis no meio.
em metros de altura
Hexavirum
em metros três por três
Uma portal em cada face   seis degraus para acesso
será o permitido      serão predefinidos.
assentos e ornamentos
Hexavirum
lavor de fino artista
A sua final forma     piramidal será
perfeita e sem igual     em a base hexagonal.
firme sempre estará

            Ao mesmo tempo em que os Hexavira instruíam os construtores iam lhes mostrando a forma final de o Templo com as suas seis cores harmônicas.
            Também explicaram que a iluminação interior deveria ser com luz negra para simbolizar a Sagrada Treva Primordial onde habita Jebukrma.

Doxologia Doxômana


            Jebukrmas, prevaleça Jebukrma!
            Laetitia, Salus, Pecunia.

אַ לּ גּ

            Amados Jebukrmas, os desígnios de o vosso Senhor Salvador Jebukrma são insondáveis, pois a Ele pertence toda a Treva Primordial onde Ele repousa como o Absoluto Perfeito Só. O Espaço é Ele mesmo e o Tempo é só Ele.
            Jebukrmas, quando quiserdes contatar Jebukrma, não O procureis em a luz, pois ela é imperfeita, e, foi por Ele feita para que vós, imperfeitos como sois, não andeis, neste imperfeito e ínfimo planeta que habitais, em as trombadas uns com os outros.
            Jebukrmas, nem tampouco O procureis em lugares sagrados público meio a algazarra de os não transcendentalizados, mas, recolhei-vos a lugares sombrios, e ali, sós, fecheis, bem fechados, os vossos olhos para que haja a Primordial Absoluta Treva: Ali Ele está.
            Jebukrmas, aceiteis todos os Sagrados Acontecimentos relatados e grafados em estas Sagradas Placas por o vosso Sagrado Hexavirato, como exemplo de o que podeis fazer, pois está implícito que: É proibido proibir.
            Jebukrmas, não mudeis uma só virgula, de estes Sagrados Textos, que de elas, por sinal, há uma tacada.
            Jebukrmas, liberteis vossos transcendentalizados corações em oração sincera e de a Treva de o Silêncio Inane onde Jebukrma repousa, Jebukrma, somente Jebukrma, responder-vos-á.

אַ לּ גּ אַ לּ גּ אַ לּ גּ

            Jebukrmas, que somente eu, Jebukrma, o que vos fala em minha forma física, de este vosso mundo físico, em este exato momento, prevaleça em vossos corações transcendentalizados, após eu ter lido e explicado a vós, os primordiais originais Sagrados Textos, grafados por os vossos Primordiais Sagrados Hexavira, em estas Sagradas Placas as quais, as vos estou mostrando, e, as quais eu, somente eu, Jebukrma, as guardarei em local certo e somente por mim sabido, as quais, eu, Jebukrma, também Sagrado Arqueólogo, as encontrei!
            Finalizo esta minha breve estada entre vós, mas, eu, Jebukrma, Senhor e Salvador, que vos tirei de a Tristeza, de a Doença, de a Pobreza em que vivíeis, antes de ir-me para o meu fabuloso, e, por vós, inimaginável Sagrado Palácio, vos dito, hoje, em o dia seis de o mês seis de o ano seiscentos e sessenta e seis de o terceiro bilênio de a minha, por vós, compreensão, estes mandamentos, e, prometo, a vós, que breve, muitíssimo breve, eu, Jebukrma, Senhor e Salvador, voltarei, entretanto não garanto que seja em esta vossa geração a minha parusia.

Sacros Mandamentos


אַ לּ גּ אַ לּ גּ אַ לּ גּ

            I          Tenhais quantos deuses quiserdes, contanto que não deixeis de recolher o Sagrado Hexismo devido a mim, e somente a mim, Jebukrma, e de dar voluntariamente contribuições pecuniárias, e de preferência a cada seis dias.
            II         Sigais a máxima: Hai gobierno? Soy contra, pois assim fazendo tereis: Spiritus liber in corpore líber, e jamais em tempo algum ajudeis o pobre, pois bem sabeis que pobreza é castigo. Afastai-vos de eles para que não vos contamines com o castigo de todos os castigos: Pobreza
            III       Sejais o último a vos inserirdes em uma assembléia, e, depois de aceita, por a maioria, a solução viável para o problema, deis a vossa, entretanto, certifiqueis-vos primeiro que ela seja absolutamente inviável.
            IIII      Sejais o último em um compromisso, a chegardes, mas, o primeiro a assinardes um abaixo-assinado, contudo, certifiqueis-vos primeiro, que a reivindicação, ou reivindicações que em elas hajam, sejam totalmente inviáveis.
            V         Sempre alegueis que sois muitíssimo ocupado, e justifiqueis o vosso atraso a compromissos, culpando alguém ou algo alheio a vossa vontade.
            VI       Sempre, façais promessas e mais promessas, contudo, certifiqueis-vos primeiro que elas sejam impossíveis de serem cumpridas; sempre demonstreis radicalismo e intransigência absolutos; e, sempre demonstreis absoluto péssimo humor.

אַ לּ גּ אַ לּ גּ אַ לּ גּ

            Jebukrmas, se seguirdes sem nenhum desvio estes mandamentos que eu Jebukrma vos dou, vós estareis absolutamente capazes para serdes rico, ou melhor, muito rico, ou ainda melhor, incomensuravelmente riquíssimo.
            Laetitia! Salus! Pecunia!

אַ לּ גּ אַ לּ גּ אַ לּ גּ אַ לּ גּ אַ לּ גּ אַ לּ גּ