terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Propósito do Bundismo

            Há modismo (seguir uma tendência predominante em determinada época) que passa, entretanto há aquele que por cair no gosto popular, sofre mutações e perdura.
            Não existia (e nem existe) o termo Bundismo, registrado nos dicionários, mas nos idos de 97 do século passado. eu já o utilizava em meus textos escolares quando lancei:


Doutor, guarde essa tesoura e não corte
essa talentosíssima pessoa,
importa a mim, que a bicharia não roa,
esse monumento depois da Morte.

Abundava por cá uma verdade:
Que “Nada substitui o talento”
modernamente, falo com vaidade,
pois agora existe um novo intento.

O velho lema já foi superado,
por um povãozamente atualizado
e para entender, juro que tento.

No Brasil ratinhável e tializável,
existe um lema muito mais palpável:
Nádegas substitui o talento.

            Na mesma época também lancei o Manifesto do Bundismo (pela Internet enviei para vários programas como “colaborador”, mas caiu em mãos inescrupulosas e “coincidentemente” gerou textos e mais textos).Eis o texto original:

Manifesto do Bundismo

Está lançado o Bundismo.
Nosso lema é: “Nádegas substitui o talento”.
Revisemos a máxima de Juvenal: “Natica sana in corpore sano.”
Revisemos o Léxico: Bunda, se for bom; se for excelente será Bundão e sendo “Intelectual” será eruditamente, Glutóide.
Revisemos os Costumes:
Na C. I. (dos humanos portadores da fenda mediana procriadora verticalizada, é claro!) deverá ter afixado um retrato tamanho 18 x 36, da “preferência nacional”.
Adentro, digo, adendo: O retrato deverá ser tipo Tia. Os do tipo Xu deverão ser obrigatoriamente, dispensados; deixando o lugar em branco.
Deverão ser isentas de todo e qualquer imposto, as portadoras de uma senhora *unda; as de *unda mixu(xa)ruca deverão ter os impostos triplicados.
Parágrafo único: Cada miligrama de silicone usado, aumentará a alíquota em 1% (hum por cento).
As tiazinhadas apresentar-se-ão em público trajando duas peças a saber: Chapéu e Tamanco; as mixu(xa)rucadas, trajar-se-ão a saber: Hábito de Abadessa Carmelita, acrescida de Capa de Chuva e Coturno, obrigatoriamente.
Todos os vocábulos classificatórios profissionais iniciados pela oclusiva bilabial surda serão substituídos pela correspondente sonora, por indicarem seres inconfiáveis.
Adendo: Permanecerá o da profissão mais antiga e sublime: Prostituta.
Revogue-se o Pós-Modernismo Medieval, vigente.”
            Há aproximadamente uma dúzia de verbetes relacionados com bunda e há um regionalismo baiano Bundões com significado pelo menos inusitado (vide P.d B).
            Havia uma marca de cigarros denominada Continental que utilizava timidamente uma metáfora (um bumbum de shortinho) relacionando *unda a preferência nacional, e no programa do Velho Guerreiro a chacrete Rita Cadilak seria a piotária (=quem vai na frente abrindo o caminho para o pioneiro receber as glórias) da Gretchem, da Karlinha (a mais veloz bumbumzeira) e tantas outras que mudaram o lema “Nada substitui o talento” para Nádegas substitui o talento.
            Com o Bundismo caindo no gosto popular os baianos “vendo a mina” investiram nas “dancinhas”e a propósito no meu livro “Do Distrato Social (Da Nação pós Cabral),– ed.Universitária UFPE, 2000, – há varia referências ao assunto e apenas transcrevo uma delas: “Após nascer seu terceiro filho, o escribinha, (agora um Escriba respeitado) totalmente voltado para as papiradas, se apaixonou, por uma tremenda morenaça/aloiraçada que dançava a cobra subi.
Essa dança, muito na moda, na época, era uma variação da dança do ventre (só que não era dançada com o ventre) e fora inventada por um grupo musical de etíopes encantadores de serpentes entediados.
Entre eles, um grupo dissidente, cansado de ver cobras serem encantadas, resolveu que, ao invés de encantar as cobras, seria bem melhor escondê-las.
Como acharam o balaio onde as cobras se escondiam muito desconfortável para elas, resolveram escondê-las em outro local.
Como o som que fazia a cobra subir, para se esconder, era bum-bum bum-bum, passaram a chamar: dança do bumbum que esconde cobra. Essa nova dança, inventada em uma longínqua província chamada Barararhia, se espalhou mais depressa que as pragas de Moisés, por todo o Império e até por Impérios vizinhos, fazendo um tremendo sucesso entre os simpatizantes do escondecobrismo.
Posteriormente, foram inventadas pelos mesmos dissidentes, outras danças baseadas no mesmo som e ritmo e com a mesma finalidade; todas dançadas com o bum-bum, bum-bum para esconder cobras.
Alguns líderes das novas danças, desenvolveram uma modalidade toda especial de cantar nesse novo ritmo: Com a língua presa e fanhosamente. (havia outros líderes, naquela época, que não eram bumbunzeiros [ou eram e ninguém suspeitava] que também, tinham a língua presa, entretanto eram políticos opositores e sindicalistas).
Essa morenaça/aloiraçada fazia parte de um desses grupos de bumbunzeiros escondecobristas.
Tinha um fazedor de cobra subir que era um monumento e, apaixonado como estava, o Escriba, queria dar uma nhanhadinha.
Mas aonde levar a bumbumzeira? (ainda não tinham inventado os paraísos dos amantes os motéis, pois não existiam [por incrível que pareça] otoridades corruptas, juízes, coronéis e políticos que os financiassem e os legalizassem)
Casa de amigo? Nem pensar! E sua honra?
Meditando nhanhescamente constatou que nunca mais dera uma nhanhadinha com sua sacrossanta e fidelíssima esposa.”
            Para não ser prolixo as “dancinhas” baianas caíram no gosto dos iniciantes “Bumbunzeiros(as) escondecobristas”, hodiernamente “Poposudas” e é uma verdadeira epidemia nacional.
            Num país como o nosso com as mais variadas tendências culturais, com um crescente índice de analfabetismo cultural, com uma alarmante má distribuição de rendas, com uma crescente Favelação da Classe Média, o uso desse tipo de prazer (agitar vigorosamente e violentamente a *unda) agigantou-se no gosto popular e : “Vox populi, vox Dei”.Logo em seguida nasce:


Joana D’Arc., Madalena, Maria,
e tantas outras, e mais outras tantas,
mulheres puras, divinas e santas,
que áurea luz, das cabeças, resplendia.

Mas tudo mudou, vejo hoje em dia
Karlinha, Tiazinha, e outras tantas,
idolatradas e mudadas em santas,
a resplender a luz, – mas quem diria!
Meu pobre corpo, velho, por anoso,
que absorve aquela luz profunda,
extasiado, no mais divino gozo.

Minh’alma torta, toda se inunda,
com aquela luz que queima como fogo:
Luz divinal que acende aquelas Bundas!


            OBS: Recentemente colocando o termo “Bundismo” nos diversos “buscar” notei que há muitos novos “pais do Bundismo” e como havia retirado da Internet todos os meus textos (aproximadamente 500) eu resolvi republicar este e mais uns quatro. (Colocado quando da republicação, mas)

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